Articulações Políticas de Lula em Minas
Nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem monitorado atentamente a situação política em Minas Gerais, considerando o senador Rodrigo Pacheco como seu candidato preferido. Enquanto isso, busca desvendar acordos em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, e em regiões do Sul e Nordeste. O objetivo é consolidar alianças estratégicas para enfrentar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), visto como seu principal adversário nas próximas eleições, segundo pesquisas recentes.
Durante sua viagem à Ásia, Lula convidou três ministros para acompanhá-lo, incluindo Fernando Haddad (Fazenda), Marina Silva (Meio Ambiente) e Márcio França (Empreendedorismo e Pequenas Empresas). Espera-se que o presidente tenha discussões individuais com cada um deles durante a viagem, refletindo a importância do estado de São Paulo em sua estratégia eleitoral.
Conversa com Pacheco e a Situação em Minas
Ao retornar ao Brasil, Lula deve retomar as conversas com Pacheco. Apesar de aliados do senador em Minas afirmarem que a candidatura ainda não está formalizada, o ambiente local é descrito como “em construção”. O MDB, por exemplo, ainda mantém Gabriel Azevedo como pré-candidato ao governo, enquanto o atual governador, Romeu Zema, tenta promover o vice Mateus Simões (PSD).
De acordo com o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, Lula está tratando a eleição em Minas como se Pacheco já tivesse aceitado se candidatar. No entanto, o senador não fez comentários sobre o assunto quando procurado.
Atualmente, os aliados de Pacheco estão discutindo sua possível filiação ao MDB. Contudo, essa migração depende de acordos políticos que devem ser realizados nas semanas seguintes. O União Brasil foi considerado uma alternativa, mas perdeu força devido a entraves nas federações e resistências internas que dificultam a movimentação do senador.
Perspectivas e Conflitos em Minas
No MDB, as negociações têm se concentrado em atrair Pacheco para o partido, embora sem garantir que isso esteja vinculado a uma candidatura ao governo estadual. O senador teve ao menos três encontros com aliados e dirigentes da sigla antes do carnaval, demonstrando seu interesse em se juntar ao MDB. Entre os envolvidos nas conversas estão Newton Cardoso Júnior, presidente estadual do MDB, e o deputado estadual João Magalhães.
Se Pacheco optar pela candidatura, Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte, pode representar um obstáculo ao seu desempenho, já que ambos compartilham o mesmo eleitorado. O entorno de Kalil, por sua vez, garante que ele está firme em sua pré-candidatura ao governo de Minas, afirmando: “Sou candidato pelo PDT ao governo de Minas. O PT que se resolva.”
O Palanque de Lula em São Paulo
No que diz respeito à eleição em São Paulo, além dos ministros que acompanha na Ásia, Lula também conta com a ministra Simone Tebet (MDB), que deve se candidatar ao Senado. Tebet já está em processo de transferência de seu título eleitoral do Mato Grosso do Sul, seu estado natal, e está prevista para deixar o MDB, uma vez que este partido se opõe ao governo de Lula em São Paulo. A opção mais provável para ela é o PSB.
Por outro lado, Haddad tem demonstrado resistência em se lançar na disputa, mas o PT o considera como a única opção para enfrentar Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes. Recentemente, a pressão sobre Haddad para entrar na disputa aumentou, com governistas defendendo sua candidatura como vital para fortalecer o palanque de Lula em São Paulo.
Se Haddad decidir concorrer ao governo, as opções para o Senado em São Paulo se estreitam a Tebet e Marina Silva, que está em negociação para retornar ao PT. Também existe a possibilidade de Geraldo Alckmin, atual vice-presidente, que prefere manter sua parceria com Lula.
Desafios em Outros Estados
Em relação ao Rio Grande do Sul, Lula se reuniu com Juliana Brizola, pré-candidata do PDT ao governo estadual, que solicitou apoio para sua campanha. Em troca, os pedetistas ofereceram ao PT a indicação de um vice-governador e espaço na chapa majoritária, um tema que o presidente se comprometeu a discutir com a cúpula estadual do PT.
No Rio de Janeiro, Lula já manifestou apoio ao prefeito Eduardo Paes (PSD), que articula sua candidatura ao governo estadual em aliança com o MDB. Essa parceria inclui a indicação de Jane Reis como pré-candidata a vice-governadora.
Em Pernambuco, Lula tenta equilibrar a disputa entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), ambos buscando seu apoio para a eleição ao Palácio do Campo das Princesas. Durante sua passagem pelo estado, o presidente encontrou-se com os dois, reforçando seu papel mediador.
Por fim, em Alagoas, a situação é mais delicada, com disputas internas complicando os apoios de Lula ao Senado. Para o governo, o petista confirmou apoio ao ministro Renan Filho (Transportes), enquanto Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP) disputam a reeleição, ambos considerados adversários. O desafio será encontrar uma forma de unir seus aliados, algo que, à luz das circunstâncias atuais, parece uma tarefa difícil.
