Pagode que Não Acaba: Uma Celebração à Música Brasileira
O último dia 22 de fevereiro marcou a conclusão de um evento singular em Belo Horizonte: o “Pagode que Não Acaba”. Realizada no Espaço CentroeQuatro, na Praça Rui Barbosa, a maratona de samba e pagode recebeu diversos músicos, começando às 17h12 do sábado (21/2) e se estendendo até as 17h15 do dia seguinte, resultando em mais de 24 horas de música contínua. A proposta, que visa estabelecer um novo recorde no Guinness Book, destaca-se por sua ambição de se tornar a roda musical mais longa do mundo, englobando os estilos populares do samba e do pagode.
A iniciativa, que teve entrada gratuita, foi planejada para garantir 24 horas de apresentações sem pausa, culminando com um show especial de Leci Brandão, uma referência do samba no Brasil e a primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira. O encerramento com Leci trouxe um toque especial ao evento, que já estava marcado por intensa participação do público e dos artistas.
Conforme afirmado pela organização, todas as diretrizes do Guinness World Records foram meticulosamente seguidas e documentadas, com a documentação sendo encaminhada aos avaliadores da entidade. Intrigantemente, até o momento, não existe uma categoria específica para rodas de samba e pagode mais longas no mundo, o que torna este evento ainda mais inédito. Caso o reconhecimento aconteça, será um marco importante.
Para Matheus Brant, um dos organizadores, o apoio do público e o entusiasmo dos músicos foram cruciais para o sucesso da maratona. Ele descreveu o evento como uma “gincana coletiva”, destacando a energia e a colaboração entre os participantes. “No encerramento, o show da Leci simbolizou não apenas a conclusão da maratona, mas também a celebração do samba e pagode de BH”, comentou Brant.
A Gênese do Projeto
A ideia da maratona musical surgiu de maneira orgânica em 2024, em uma conversa entre amigos, quando a proposta de realizar uma roda de samba mais longa do que qualquer outra foi lançada. Matheus relata que, apesar de não ter sido selecionado para a Virada Cultural daquele ano, o projeto ganhou força após ser aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais. O evento recebeu apoio da Cemig e da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), o que foi vital para sua realização.
Para manter a energia musical durante as 24 horas, a organização convocou 12 grupos de samba de casas tradicionais de Belo Horizonte. Entre eles, destacaram-se nomes como Três Pretos Bar, Bar do Cacá e Simplicidade. Grupos como Afobei, A Firma, Resenha do Edgard, Feijoada Completa e Samba da Roda de Saia, entre outros, se revezaram no palco, garantindo uma diversidade de vozes e estilos ao longo do evento.
Além disso, a inclusão de cantoras e cantores convidados agregou ainda mais valor à maratona. Artistas como Adriana Araújo, Gisele Couto e Fernando Bento participaram, enquanto a roda de samba não ficou restrita a um único gênero; o convite ao Samba da Roda da Saia, formado apenas por mulheres, foi uma forma de assegurar representatividade no evento.
Reconhecimento e Expectativas Futuras
Matheus, em busca de oficializar o feito junto ao Guinness Book, foi informado que, curiosamente, não existe um registro atual para a duração de rodas de samba e pagode. Isso significa que, se aprovado, este evento poderá criar uma nova categoria dentro do famoso “livro de recordes”. A expectativa é grande, e os organizadores estão ansiosos para receber a validação oficial.
O “Pagode que Não Acaba” não apenas celebra a música brasileira, mas também coloca Belo Horizonte em um novo patamar cultural, unindo comunidades e promovendo o samba e o pagode como elementos centrais da identidade local. Com um público entusiasta e uma programação diversificada, a maratona se consolidou como um marco na cena cultural da cidade.
