Uma Nova Era para o Forró Mineiro
A cantora e compositora Marina Flor lançou, no início deste mês, seu álbum intitulado “Forró Mineiro”. Neste domingo, 21 de dezembro, o repertório será apresentado ao vivo pela primeira vez no espaço Forró do 104. O disco conta com 11 faixas, entre elas: “Rodopiar”, “Flor de pequi”, “Devera Forró Mineiro”, “Tá na beira” em parceria com Manacá da Serra, “No Central”, “Coração com coração”, “Sem tirar nem pôr”, “Sagrado feminino” com Priscilla Frade, “Batom”, “Uricuri” e “Morena bonita”.
Com um repertório que inclui composições autorais, colaborações e releituras de renomados artistas brasileiros, como Toninho Horta, Celso Adolfo e João do Vale, o álbum reflete a rica diversidade musical do Brasil. A produção e os arranjos ficam a cargo de Everton Coroné, que também é instrumentista no projeto. A sonoridade do disco é caracterizada pelo forró pé de serra, utilizando sanfona, zabumba e triângulo, além de instrumentos como viola caipira, violão e guitarra.
Um Forró que Transcende Fronteiras
Marina Flor explica que o título do álbum foi escolhido em função das suas composições e das mensagens que elas transmitem. “Eu costumo afirmar que não existe um forró que pertença a um único estado. A menção ao forró mineiro é uma referência ao que Minas Gerais representa, com sua paisagem, culinária e o acolhimento que caracteriza o povo mineiro”, destaca a artista. Ela também menciona que o disco reflete tanto as vivências do interior do estado quanto a atmosfera urbana de Belo Horizonte, que inspira algumas das canções.
O povo brasileiro, segundo Marina, é a verdadeira estrela do álbum. “São as pessoas que lutam diariamente, que trabalham duro para fazer o mundo funcionar”, explica. Um exemplo de como essa narrativa se manifesta no disco é a música “Tá na beira”, que retrata a rotina daqueles que enfrentam desafios diários. A canção relata: “Gente que acorda bem cedo na fila do ponto para pegar o busão. Tá na labuta do dia, cortando um dobrado para ganhar o pão. Gente de fé brasileira, gente que aguenta o rojão. Quando o Brasil tá na beira, sacode a poeira e sustenta com a mão.”
Processo Criativo Coletivo
Curiosamente, algumas das músicas foram criadas em processos colaborativos, uma prática que Marina adotou ao longo da produção do álbum. Das 11 faixas, quatro foram desenvolvidas em encontros de composição, onde a artista apresentava ideias iniciais que eram aprimoradas em grupo. A faixa título, “Devera ‘Forró Mineiro’”, originou-se desse formato e também ganhou um videoclipe. “Essas músicas têm a minha assinatura, mas trazem também a marca de outras pessoas”, observa a cantora.
Outras canções foram inspiradas em vivências pessoais e memórias de família. Por exemplo, “Flor de pequi” se baseia nas recordações da infância e das visitas à família no interior de Minas. “Esses são detalhes do cotidiano mineiro que acabam fazendo parte da música”, afirma.
Forró e Feminino: Uma Combinação Poderosa
O disco conta com colaborações de Priscilla Frade e Manacá da Serra, sendo representado pela cantora Bárbara Barcellos. “Busquei parcerias que destacassem a presença feminina no forró”, enfatiza Marina. Ela também comenta sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres nesse cenário, que ainda é dominado por homens. “Há muitas mulheres fazendo um trabalho excelente, mas a visibilidade e a valorização ainda são escassas”, ressalta.
Para a artista, o lançamento de “Forró Mineiro” é um marco em sua trajetória pessoal e profissional. “Esse álbum é uma conquista significativa, uma abertura de portas para novos projetos que possam surgir. Ele também ressalta que Minas Gerais é um celeiro de boas músicas, fazendo forró e oferecendo afeto por meio de nossa cultura”, conclui. O show de lançamento ocorrerá hoje, no Forró do 104, com a banda que participou da gravação do disco, marcando a primeira apresentação completa do repertório ao vivo.
