CarnaTherê: O Carnaval Começa Antes
“O mundo está sempre em movimento e a vida também. E o presente, acreditem, é sempre melhor do que o passado”. Com essa visão otimista, Martinho da Vila trouxe sua sabedoria e carisma a Belo Horizonte neste fim de semana. O cantor e compositor, com seu jeito contagiante, será a principal atração do CarnaTherê, que acontece no Parque das Mangabeiras neste sábado (31/1). Este é o terceiro ano do evento, que promete agitar a capital mineira, trazendo ainda o renomado Olodum, o pagode do grupo Akatu e a energia do coletivo de eletrônica Baile Room. Martinho, conhecido por suas “músicas românticas”, preparou um repertório recheado de sucessos que não deixarão ninguém parado.
Aos 88 anos, o artista se mostra vibrante e cheio de disposição: “O melhor lugar do mundo é o palco. Mas a logística de viagem… Ah, essa eu não gosto”, comenta, referindo-se ao desgaste que acompanha as turnês. Ele expressa um desejo de se estabilizar em Duas Barras, sua cidade natal, onde quer desfrutar de passeios por Belo Horizonte e o Rio de Janeiro, mantendo sempre viva sua conexão com as raízes.
A Relação com Suas Origens
Embora tenha se mudado para o Rio de Janeiro aos 4 anos, Martinho mantém sua herança viva. Ele é proprietário da Fazenda Cedro Grande, onde seus pais trabalharam como lavradores, e também dirige o Instituto Cultural Martinho da Vila, que, a partir de 2025, abrirá as portas para visitação. Essa ligação com o passado é uma constante em sua vida, e ele faz questão de relembrar suas origens sempre que pode.
O cantor não planeja desacelerar. Em 2025, ele fez uma turnê pela Europa e agora se prepara para uma nova empreitada no Brasil com sua filha Mart’Nália, que, segundo ele, trouxe um frescor ao pagode. “Ela fez algo diferente, uma música bem harmonizada, e o resultado ficou incrível”, elogia Martinho, referindo-se ao dueto “O teu chamego”, um dos destaques do álbum “Pagode da Mart’Nália” (2024).
Novos Projetos e Lançamentos
Próximo do Carnaval, Martinho já confirmou presença no desfile da Vila Isabel, onde, apesar de afirmar que não desfilaria mais, admite que a energia do Carnaval o faz mudar de ideia. Além disso, ele já está trabalhando em um novo livro, uma nova coletânea de contos, após ter explorado diferentes gêneros literários, como romances e memórias, com obras como “Os lusófonos” e “Memórias de Teresa de Jesus”. “Contar uma história em pouco tempo é desafiador, mas também muito gratificante”, diz o artista sobre seu novo projeto literário.
Músicas e Opiniões
Com mais de cinco décadas de carreira e uma vasta coleção de sucessos, Martinho sente que não tem uma música favorita. “São como filhos, você ama todos, mas sempre tem aquele que está mais perto”, destaca. Enquanto se prepara para o show em Belo Horizonte, ele foi questionado sobre a polêmica entre o compositor Toninho Geraes e a cantora Adele, que está sendo acusada de plágio na canção “Mulheres”. Martinho reflete sobre o assunto: “O plágio é algo complicado de definir. Se fosse comigo, eu ficaria feliz, pois ela cantou muito bem”, conclui, demonstrando sua visão madura sobre a situação.
Além de suas reflexões sobre a carreira e a vida, ele não esquece de expressar sua gratidão por tudo que conquistou. Casado com Cleo Ferreira há mais de 30 anos, Martinho se lembra de suas experiências amorosas e como a compreensão da parceira fez toda a diferença em sua vida: “A Cleo entendeu que era ela quem eu procurava”, revela, adaptando até uma de suas letras para ressaltar o amor que sente por ela. O Carnaval em Belo Horizonte promete ser uma celebração não apenas da música, mas também da vida e da cultura que Martinho da Vila representa.
