Brumadinho Inova com Método Wolbachia
Brumadinho se destaca como a pioneira em Minas Gerais ao receber a inovadora tecnologia do Método Wolbachia, focada no combate às arboviroses como dengue, zika e chikungunya. A soltura simbólica dos ‘wolbitos’, mosquitos Aedes aegypti que contêm a bactéria Wolbachia, ocorreu nesta segunda-feira (2) no Centro Administrativo Municipal, marcando um passo significativo na luta contra essas doenças endêmicas.
A iniciativa, já testada com sucesso em Niterói (RJ), onde demonstrou uma impressionante eficácia de 89% na redução dos casos das três doenças, visa liberar mais de 7 milhões de mosquitos ao longo das próximas 20 semanas em Brumadinho.
O evento de lançamento contou com a presença de diversas autoridades, incluindo Fábio Baccheretti, secretário de Estado de Saúde; Cinthya Pedrosa, secretária municipal de Saúde; e representantes da Associação de Familiares de Vítimas e Atingidos de Brumadinho (Avabrum), entre outros. Segundo Pedrosa, o método é uma prática consolidada, utilizada há mais de uma década em outros locais, e Brumadinho assume a vanguarda em Minas Gerais. Baccheretti anunciou planos para expandir a estratégia para a bacia do Paraopeba, visando a eficácia em um contexto mais amplo.
Após a soltura dos mosquitos, as autoridades participaram do programa Saúde Nota 10, veiculado na rádio Regional FM e no Portal da Cidade, às 12h25, para esclarecer dúvidas da comunidade sobre a nova tecnologia. Em 2024, o município registrou cinco mortes relacionadas à dengue, o que reforça a necessidade de estratégias adicionais. Apesar da introdução do Método Wolbachia, a Prefeitura solicita que a população continue vigilante, eliminando possíveis criadouros e focos de mosquitos.
Como Funciona o Método Wolbachia
O projeto é desenvolvido pela World Mosquito Program Brasil em colaboração com a Fundação Oswaldo Cruz, o Governo de Minas Gerais, através da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), e a Prefeitura de Brumadinho. A técnica envolve a criação de Aedes aegypti que contêm a bactéria Wolbachia, um microrganismo natural que já está presente em cerca de 50% das espécies de insetos. Essa bactéria impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam nos mosquitos, resultando em uma significativa redução na capacidade de transmissão dessas doenças.
Importante destacar que o Método Wolbachia não envolve qualquer modificação genética e é considerado seguro, apresentando riscos mínimos à saúde humana, aos animais e ao meio ambiente. Os wolbitos são cultivados em uma biofábrica localizada em Belo Horizonte e serão liberados gradualmente nas áreas previamente definidas. Ao se reproduzirem com os Aedes aegypti já existentes, eles transmitem a Wolbachia para as futuras gerações de mosquitos, aumentando lentamente a proporção da população que carrega a bactéria.
Conforme Ana Carolina Rabelo, gestora de implementação do método no WMP Brasil, os resultados desse projeto podem ser observados aproximadamente dois anos após o término das liberações. Desde sua chegada ao Brasil em 2012, o WMP já demonstrou resultados promissores, como em Niterói, onde a estratégia resultou em uma redução de 89% nos casos de dengue em comparação ao período anterior à intervenção.
Projeto Paraopeba e Expansão Regional
A ação em Brumadinho integra o Projeto Paraopeba, que surgiu como parte do Acordo de Reparação após o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em 2019. Este trágico evento deixou 272 vítimas e causou sérios impactos socioambientais na Bacia do Rio Paraopeba. A nova biofábrica em Minas Gerais atenderá 22 municípios afetados na região, com o objetivo de expandir o alcance da tecnologia e reforçar as iniciativas de vigilância em saúde.
Os recursos para esse projeto são oriundos do Acordo Judicial de Brumadinho, que foi firmado entre o Governo de Minas, o Ministério Público de Minas Gerais, o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública de Minas Gerais e a Vale. Essa parceria entre instituições promete não apenas um avanço significativo no controle de doenças, mas também um passo rumo ao fortalecimento da saúde pública em Minas Gerais.
