Minas Gerais enfrenta queda expressiva nas exportações para os EUA
Minas Gerais acumula uma perda de US$ 1,8 bilhão nas exportações para os Estados Unidos durante os 12 meses seguintes ao início do tarifaço americano, iniciado em agosto de 2025. Esse impacto financeiro é o maior entre os estados brasileiros, superando São Paulo, que registrou uma queda de US$ 1,7 bilhão, e o Rio de Janeiro, com US$ 1,4 bilhão. No geral, o Brasil amargou uma redução de US$ 6,7 bilhões nas vendas para o mercado norte-americano nesse período.
Produtos-chave como café e ferro-gusa marcam retração
O estudo “Efeitos do tarifaço americano nas exportações dos municípios nos últimos 12 meses”, publicado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) em 19 de junho, aponta que a queda das receitas em Minas Gerais está diretamente ligada à diminuição das exportações de café e ferro-gusa. Segundo Felipe Ramon, analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o café sofreu uma sobretaxa de 50% entre agosto e novembro de 2025, período em que foi incluído na lista de exceções da tarifa. Além do tarifaço, a oferta abundante e a queda dos preços internacionais também colaboraram para a redução nas vendas.
Quanto ao ferro-gusa, embora não tenha sido incluído no tarifaço de agosto de 2025 nem nas sobretaxas aplicadas em julho deste ano, o produto sofreu impactos significativos. Isso se deve à sua cadeia produtiva altamente integrada ao mercado dos EUA, que foi afetado pela tarifa geral imposta pelo governo norte-americano em abril de 2025 contra diversos países.
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Concentração das exportações e dependência dos EUA em foco
Paulo Ziulkoski, presidente da CNM, destaca a concentração geográfica das exportações mineiras e a forte dependência do mercado americano. Apenas 251 dos 853 municípios de Minas Gerais exportam para os EUA, e 71% deles registraram retração no valor exportado.
Guaxupé, localizada no Sul de Minas, lidera as perdas, com US$ 222,8 milhões a menos em receita, principalmente pela queda nas vendas de café, chá, mate e especiarias. Sete Lagoas aparece logo atrás, com uma redução de US$ 140,8 milhões, relacionada ao ferro fundido, ferro e aço. Belo Horizonte também sofreu impacto expressivo, com US$ 123,5 milhões em perdas devido à diminuição na venda desses mesmos materiais.
Pequenos municípios mineiros sentem maior impacto proporcional
Ziulkoski chama a atenção para o fato de que os municípios menores sofreram redução proporcional de 46,3% nas exportações, o equivalente a US$ 555,8 milhões. Essa vulnerabilidade demonstra a dificuldade dessas localidades em resistir a barreiras tarifárias internacionais. O presidente da CNM reforça a incapacidade isolada de produtores e municípios para superar esses desafios, defendendo uma estratégia conjunta entre governos e setor privado para minimizar os prejuízos.
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Entre as ações sugeridas estão a ampliação da variedade de produtos exportados, a identificação das principais cadeias produtivas locais e o investimento na capacitação das empresas para o comércio exterior. A atuação de entidades e associações é apontada como fundamental, de forma a desburocratizar processos e incentivar a organização dos produtores locais.
Estratégias para diversificação e superação do tarifaço
Segundo Felipe Ramon, identificar mercados com demanda real e avaliar concorrência, preços, logística, exigências técnicas e potenciais compradores são passos essenciais para enfrentar o tarifaço. Embora a diversificação seja complexa para setores integrados, como a siderurgia, que dependem de contratos específicos e homologações, ela é viável para a maioria dos exportadores mineiros.
