Minas Gerais e os Impactos das Chuvas
Minas Gerais enfrentou um cenário devastador durante o verão de 2025/2026, acumulando R$ 984 milhões em prejuízos devido às chuvas. Esse montante representa 26% de todas as perdas registradas no Brasil neste período, conforme um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), realizado a pedido do O Fator. Destacam-se no ranking nacional dois municípios mineiros entre os cinco mais afetados. Confira a lista abaixo.
O impacto financeiro em Minas Gerais é alarmante, pois representa mais de um quarto dos R$ 3,8 bilhões contabilizados em todo o país entre 21 de dezembro de 2025 e 20 de março de 2026. Essa situação coloca o estado em uma posição central, tanto em termos econômicos quanto humanos, diante dos desastres climáticos que o Brasil tem enfrentado.
Os dados sobre os prejuízos em Minas foram coletados pela CNM por meio de plataformas como o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), gerido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Essas informações se baseiam nos decretos de situação de anormalidade emitidos pelos municípios afetados.
Cidades Mineiras Entre as Mais Atingidas
Na lista das cidades brasileiras que mais sofreram com as chuvas, duas localidades em Minas Gerais se destacam entre as mais prejudicadas. Ubá, em Minas, registrou um prejuízo de R$ 313,7 milhões, enquanto Sabará contabilizou R$ 113,5 milhões. Confira o ranking das cidades com maiores perdas:
- Ubá (MG) – R$ 313,7 milhões
- Massaranduba (SC) – R$ 179,7 milhões
- Santa Carmem (MT) – R$ 171,9 milhões
- Cândido Godói (RS) – R$ 137,3 milhões
- Sabará (MG) – R$ 113,5 milhões
Distribuição dos Prejuízos em Minas Gerais
Dos R$ 984 milhões em prejuízos registrados no estado, a maior parte, cerca de R$ 546,4 milhões (55,5%), é atribuída ao setor público. Esses números incluem danos significativos à infraestrutura urbana, equipamentos públicos e serviços municipais. Por outro lado, o setor privado, englobando comércio, indústria, agropecuária e prestação de serviços, totalizou R$ 369,5 milhões em perdas, representando 37,6% do total. O setor habitacional, por sua vez, somou R$ 68,1 milhões, impactando aproximadamente 8,8 mil moradias, que foram danificadas ou destruídas.
Consequências Humanas e Sociais
Além dos prejuízos financeiros, Minas Gerais também registrou uma quantidade alarmante de mortes durante este período. Das 107 mortes contabilizadas em todo o Brasil, 92 ocorreram no estado mineiro, totalizando 86% dos óbitos. A CNM também informou sobre 253 decretos de situação de anormalidade em 185 cidades mineiras, representando 23,3% de todos os decretos do país e 26,3% das cidades afetadas por eventos climáticos extremos neste verão.
Impacto Social e Desafios para a Assistência
O impacto social das chuvas é significativo, com 1,8 mil pessoas desabrigadas e 15 mil desalojadas em Minas. A diferença entre esses termos é crucial: desabrigados são aqueles que perderam suas moradias e precisam de abrigo público ou apoio emergencial, enquanto desalojados são indivíduos que deixaram suas casas temporariamente, buscando acolhimento com familiares ou amigos.
Essas situações impõem uma pressão direta sobre os serviços de assistência social, saúde, transporte e a necessidade de reconstrução urbana, intensificando a crise humanitária.
Comparação com o Cenário Nacional e Aumento das Perdas
Em nível nacional, a situação é igualmente preocupante. Os R$ 3,8 bilhões em perdas no Brasil foram distribuídos em R$ 2 bilhões para os cofres públicos municipais, R$ 1,5 bilhão para o setor privado e R$ 365,1 milhões para o setor habitacional, com 43,7 mil moradias danificadas ou destruídas. Minas Gerais sozinha contabilizou 19% dos prejuízos habitacionais do Brasil e quase 25% dos danos no setor privado.
A CNM alerta que os números ainda podem aumentar, já que várias cidades ainda estão consolidando laudos e atualizando registros de danos nos sistemas federais. Além disso, o verão de 2025/2026 já se mostrou mais severo em termos de ocorrências, com o Brasil saltando de 722 decretos no verão anterior para 1.084 neste ano, um aumento de cerca de 50%. O número de mortes também cresceu de 67 para 107, representando um incremento próximo a 60%.
