Minas Gerais sob Risco de Deslizamentos
Minas Gerais se destaca como o estado brasileiro com a maior extensão de moradias localizadas em regiões propensas a deslizamentos de terra. Essa informação foi revelada por um estudo divulgado nesta quarta-feira (4), realizado pela plataforma MapBiomas, que analisa a evolução urbana em áreas de alta declividade entre 1985 e 2024.
Os dados indicam que a área urbanizada em Minas Gerais, que se encontra em terrenos com inclinação acentuada, triplicou ao longo do período estudado, alcançando quase 14,5 mil hectares em 2024. A cidade de Juiz de Fora, situada na Zona da Mata mineira, é um dos principais motores desse crescimento, ocupando a terceira posição entre os municípios do Brasil com maior área urbanizada em terrenos com inclinação superior a 30%, considerados de alto risco para deslizamentos.
Ranking das Cidades em Áreas de Risco
No ranking nacional, o Rio de Janeiro surge em segundo lugar, seguido por São Paulo na terceira posição. Em 1985, as cidades que lideravam a lista de áreas urbanizadas em terrenos íngremes eram o Rio de Janeiro (1,16 mil hectares), Belo Horizonte (900 hectares) e São Paulo (730 hectares). No entanto, a situação mudou drasticamente até 2024: o Rio de Janeiro manteve sua liderança com 1,7 mil hectares, enquanto São Paulo ocupa a segunda posição com 1,5 mil hectares. Juiz de Fora destaca-se como a terceira cidade com 1,3 mil hectares, superando Belo Horizonte, que possui 1,2 mil hectares.
Expertise em Mapeamento e Desafios na Urbanização
De acordo com Talida Micheleti, integrante da equipe de mapeamento do MapBiomas, o acelerado processo de urbanização observado em Minas Gerais ajuda a elucidar este cenário preocupante. “O crescimento da urbanização em Minas Gerais, que ocupa a segunda maior área urbanizada do país, constantemente desafia a geografia local. A expansão da urbanização em terrenos acentuados é um padrão notável na Zona da Mata, onde está situada Juiz de Fora”, explicou.
Impacto das Favelas em Áreas Íngremes
O levantamento também abordou a presença de favelas em terrenos inclinados. A área ocupada por essas comunidades em regiões de risco aumentou de 2.266 hectares em 1985 para 5.704 hectares em 2024, representando um crescimento superior a 150%. No cenário nacional, o Rio de Janeiro é o líder, com 1.730 hectares de favelas em áreas íngremes, seguido por São Paulo (1.061 hectares) e Minas Gerais (1.057 hectares).
Crescimento da Urbanização em Outros Estados
Quando se analisa o crescimento proporcional da urbanização em áreas de alta declividade, o Rio Grande do Sul apresenta um aumento impressionante, multiplicando a área ocupada por sete vezes. Santa Catarina também registrou um aumento significativo, com crescimento de seis vezes no mesmo período.
Vulnerabilidades a Alagamentos
Outro aspecto considerado no estudo foi a vulnerabilidade a alagamentos. A pesquisa avaliou a distância vertical entre áreas urbanizadas e as linhas de drenagem natural, como rios e córregos, considerando áreas com até três metros de diferença como mais suscetíveis a enchentes. Essas áreas cresceram 145% nos últimos 40 anos, passando de 493 mil hectares em 1985 para 1,2 milhão de hectares em 2024.
No que diz respeito aos municípios com maior área urbanizada próxima a cursos d’água, o Rio de Janeiro e São Paulo continuam na liderança, tanto em 1985 quanto em 2024, com Brasília assumindo a terceira posição em 2024. Em termos proporcionais, Roraima destaca-se com 46,4% da sua área urbanizada situada em zonas vulneráveis a enchentes, seguido pelo Rio de Janeiro (43%) e Amapá (37,6%).
O estudo conclui que a rápida urbanização no Brasil tem ocupado diversas áreas que apresentam riscos significativos, seja pela inclinação acentuada do terreno, que favorece a erosão e deslizamentos, ou pela proximidade com áreas de drenagem, onde a probabilidade de enchentes é elevada.
