Primeiro Lote Nacional de Terras Raras
A mineradora Meteoric fez história ao entregar um lote de 20 quilos de carbonato de terras raras ao Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras (CIT Senai ITR), localizado em Lagoa Santa, Minas Gerais. Esta entrega marca um significativo avanço nas pesquisas envolvendo materiais brasileiros, rompendo a dependência de insumos importados, como os provenientes da China. O carbonato é um intermediário que resulta do processo de lixiviação da argila iônica que contém os minérios, e é essencial para a produção de ímãs.
O material foi obtido a partir de extrações realizadas na planta piloto que a Meteoric inaugurou em dezembro do ano passado, em Poços de Caldas. As amostras de argila iônica foram coletadas durante um extenso levantamento sobre a presença de terras raras na região do Planalto Vulcânico de Poços de Caldas, onde a empresa já avança na fase de licenciamento para a construção da mina.
Inovação e Sustentabilidade em Foco
O CIT Senai ITR é a pioneira fábrica de ímãs permanentes na América Latina e integra o projeto MagBras, que visa estabelecer uma cadeia produtiva contínua de terras raras no Brasil, abrangendo desde a extração até a fabricação dos produtos finais. Esses ímãs são fundamentais para a produção de motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones, equipamentos de ressonância magnética e outros componentes industriais.
André Luis Pimenta de Faria, coordenador do CIT Senai ITR, enfatizou que a entrega do carbonato representa um marco na evolução das pesquisas. ‘Com essa remessa, temos a chance de trabalhar com matéria-prima nacional nas etapas de obtenção de óxidos puros de terras raras, redução para metal e fabricação de ímãs de neodímio-ferro-boro (NdFeB)’, destacou.
Parceria de Longo Prazo para Avanços Tecnológicos
A entrega do carbonato é parte de um acordo de colaboração de cinco anos firmado entre o CIT Senai ITR e a Meteoric, selado no início de 2024. Na mesma linha, o ITR já recebeu amostras de óxidos puros da Viridion, que são provenientes da reciclagem de ímãs coletados no Brasil e que passaram por tratamento na Irlanda. Além disso, uma amostra de oxalato foi fornecida pela St George, utilizando minério nacional.
O CIT Senai ITR continua, temporariamente, a trabalhar com materiais importados até que a produção nacional alcance a escala necessária. ‘Essa estratégia é crucial para manter a continuidade dos projetos e garantir a segurança no fornecimento até que tenhamos uma produção robusta no Brasil’, completou Pimenta de Faria.
Perspectivas Futuras para a Indústria de Terras Raras
De acordo com a Meteoric, as análises realizadas no carbonato produzido em sua planta piloto demonstraram um alto teor de terras raras, indicando a qualidade excepcional do material proveniente do Planalto Vulcânico de Poços de Caldas. ‘Transformamos argilas que contém 0,4% de terras raras em um carbonato que possui 98% desse elemento’, afirmou Marcelo Carvalho, diretor executivo da Meteoric. ‘Isso mostra que o nosso depósito é um dos melhores do mundo, com taxas de recuperação que podem chegar até 79%. Em contrapartida, a maioria das minas globais tem recuperação em torno de 50%.’
O próximo passo para a Meteoric é desenvolver processos de separação dos minerais de terras raras a partir do carbonato, avançando na construção de uma cadeia produtiva nacional. ‘Estamos empenhados em iniciar estudos de separação utilizando nosso carbonato, o que é essencial para o futuro da produção de ímãs no Brasil’, concluiu Carvalho.
