Monitoramento Contínuo da Mpox
A Mpox, uma doença viral que tem gerado preocupação nas autoridades de saúde, continua sob rigoroso monitoramento no Brasil. Apesar de o número de casos registrados no país estar em um patamar relativamente baixo, a recente descoberta de uma nova variante no exterior acende um alerta sobre a necessidade de vigilância constante.
Melissa Valentini, infectologista do Lab-to-Lab Pardini, explica que a Mpox é provocada por um vírus que pertence à mesma família do vírus da varíola humana, que foi erradicado globalmente em 1980. “Os sintomas mais comuns incluem febre, inchaço dos gânglios linfáticos e lesões na pele, que podem se manifestar como manchas, pápulas ou vesículas. Frequentemente, essas lesões são confundidas com catapora ou herpes genital”, detalha a especialista.
Segundo Valentini, embora o vírus seja conhecido há décadas, sua origem remonta ao continente africano. “Até 2022, os casos fora da África eram raramente registrados e geralmente associados ao contato com animais infectados. Porém, desde aquele ano, notou-se uma mudança significativa no padrão de transmissão, agora se dando principalmente por meio de contato íntimo e relações sexuais desprotegidas”, acrescenta.
Preocupações com o Futuro
Os especialistas têm mostrado preocupação com três vírus que podem representar riscos em 2026: H5N1, Mpox e Oropouche. O entendimento sobre o vírus da Mpox se aprofunda à medida que se estudam suas variações e impactos na saúde pública.
O vírus da Mpox possui duas linhagens genéticas principais. O clado 1, que se originou na África Central, é historicamente associado a manifestações mais graves da doença. Em contrapartida, o clado 2, oriundo da África Ocidental, tende a causar formas mais brandas da infecção. O surto global que começou em 2022 estava predominantemente relacionado ao clado 2B, com a maioria dos casos sendo transmitidos por contato íntimo.
“Grande parte dos casos foi observada em homens que fazem sexo com homens. Embora a maioria das infecções não tenha se mostrado grave, as lesões eram extremamente dolorosas, especialmente na região anal e perianal”, explica Valentini. Adicionalmente, pessoas imunossuprimidas, como aquelas vivendo com HIV e com baixa imunidade, têm apresentado maior risco de desenvolver complicações. O Brasil, em particular, se destacou como um dos países mais afetados em 2022, registrando até mesmo mortes associadas à infecção.
Atualmente, o cenário no Brasil apresenta apenas casos esporádicos, mas a vigilância continua necessária.
Nova Variante Identificada
Pesquisadores recentemente detectaram uma nova variante do vírus, originada por recombinação genética entre as linhagens dos clados 1 e 2. Os primeiros casos foram encontrados no Reino Unido, em dezembro de 2025, e na Índia, em setembro do mesmo ano.
“Os dois casos não possuem relação epidemiológica, o que sugere transmissões independentes. No momento, não temos informações suficientes para determinar se essa variante é mais transmissível ou mais grave, e isso precisa ser monitorado de perto”, ressalta a infectologista.
Até agora, a Organização Mundial da Saúde não alterou suas recomendações sobre vigilância e prevenção, o que destaca a importância da manutenção de protocolos em saúde pública.
Diagnóstico e Medidas de Prevenção
O diagnóstico da Mpox é realizado por meio da coleta de material das lesões, seguido de análise por PCR. “Pacientes com suspeita da doença devem permanecer em isolamento até que todas as lesões estejam completamente cicatrizadas”, orienta Valentini.
A vacina utilizada contra a Mpox é a mesma desenvolvida para a varíola. No Brasil, as dose foram adquiridas através de doações internacionais e priorizadas para grupos vulneráveis, especialmente aqueles que são imunossuprimidos. “Atualmente, não há disponibilidade ampla da vacina, nem na rede pública nem na privada”, afirma a especialista.
Quando Buscar Atendimento Médico
É fundamental que as pessoas procurem atendimento médico ao apresentarem febre acompanhada de lesões na pele e inchaço dos gânglios, especialmente após contato íntimo desprotegido ou exposição a indivíduos com lesões suspeitas. “O reconhecimento precoce e o isolamento adequado são essenciais para interromper a cadeia de transmissão da doença”, conclui Valentini.
