Uma História de Espera e Indefinições
Com quase sete décadas de história, o Museu do Ouro, localizado em Sabará, enfrenta um período de incertezas. Desde sua inauguração em 16 de maio de 1946, o espaço, que faz parte do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e do Ministério da Cultura, está fechado há mais de três anos. Originalmente, a previsão era de que o acervo fosse transferido para o Solar do Padre Correia, um prédio colonial recentemente restaurado no Centro Histórico da cidade. No entanto, até o momento, não há indícios claros de que essa mudança acontecerá.
Em abril de 2025, o prefeito Sargento Rodolfo anunciou que o Solar estaria disponível para abrigar o acervo, mas a realidade é que, até agora, nada foi feito. Em contato com a assessoria da Prefeitura de Sabará, foi informado que a transferência ainda não ocorreu porque o Ibram está aguardando a liberação de recursos federais essenciais para que o processo se concretize.
Visita ao Museu e Situação Atual
Durante uma recente visita a Sabará, foi possível observar a situação precária do Museu do Ouro, que permanece escorado e com uma placa que indica a necessidade de uma intervenção emergencial, orçada em R$ 334,2 mil. Tentamos contato com o Ibram, mas não obtivemos resposta. O silêncio em torno do futuro do museu gera preocupação.
No ano passado, já havíamos noticiado a cessão do Solar do Padre Correia, um dos marcos arquitetônicos da cidade. O acordo previa que os custos da transferência do acervo e a manutenção do museu seriam arcados pelo governo federal, não sobrecarregando os cofres municipais. A expectativa era de que todo o processo fosse finalizado até o final de 2025.
O Acervo do Museu e a Reação da Comunidade
O Museu do Ouro ocupa a antiga Casa de Intendência e Fundição do Ouro de Sabará e possui um acervo rico, que começou a ser constituído na década de 1940, por meio de doações e compras de famílias tradicionais mineiras. O acervo inclui objetos que refletem a história e a cultura da região, como mobiliário, armaria, porcelanas e itens relacionados à mineração dos séculos 18 e 19.
Ainda que a situação do museu seja alarmante, os moradores da cidade expressam sua insatisfação com o fechamento. Uma residente comentou: “Passou a Semana Santa, quando a cidade recebe muitos visitantes, e as portas continuam do mesmo jeito: cerradas.” Com o aumento das chuvas, a preocupação com a preservação do patrimônio cultural se intensifica. “Mas até quando teremos que esperar?”, questiona um estudante local.
Cultura e Tradição em Minas Gerais
Enquanto isso, a cultura mineira continua viva em outras manifestações, como na exposição “Minas Santa no Iepha – Paixão mineira no século 21: festa, patrimônio e cultura”, que estará em cartaz até 25 de maio em Belo Horizonte. A mostra destaca os rituais e tradições, como as procissões das “Madalenas”, figuras que trazem à tona a rica herança cultural local.
Além da exposição, o lançamento do livro “A paixão pela memória: imagem, ritual e teatro em Ouro Preto”, do antropólogo Edilson Pereira, oferece um novo olhar sobre as celebrações da Semana Santa na ex-capital de Minas. Considerado o primeiro estudo etnográfico sobre a festividade, o livro propõe reflexões sobre o papel da cidade como palco de rituais que perpetuam a memória.
Eventos e Iniciativas Culturais
Na capital e em cidades vizinhas, grupos teatrais estão envolvidos ativamente na encenação da Paixão de Cristo. No Vale do Jequitinhonha, o Grupo Gamardra, que possui 70 anos de história, apresentou sua versão da Paixão de Cristo na sexta-feira santa, emocionando moradores da região. A participação da comunidade em eventos culturais demonstra a força da tradição e da fé na cultura mineira.
Além disso, em Belo Horizonte, a Casa do Conde de Santa Marinha passou por reformas e reinaugurações, reafirmando seu papel essencial na preservação da história ferroviária e cultural de Minas Gerais. O investimento de mais de R$ 700 mil em obras de conservação garante que este importante monumento continue a ser um espaço de memória e cultura.
