Desafios Políticos em Minas Gerais
Na última quarta-feira, Nikolas Ferreira, representante do PL, percorreu cerca de 200 quilômetros para anunciar um investimento de R$ 54 milhões em pavimentação nas cidades de Juiz de Fora e Ponte Nova. Ao seu lado, estava o vice-governador Mateus Simões (PSD), que é o candidato preferência de Nikolas para a sucessão de Romeu Zema. Contudo, o apoio do bolsonarismo mineiro a Simões tem se mostrado controverso.
A escolha do próximo governador por parte da direita em Minas é apenas uma das várias desavenças que têm surgido entre o parlamentar e seus aliados. Estes, em sua maioria, são favoráveis à manutenção do número “22” nas urnas e buscam consolidar uma candidatura forte.
Polêmicas e Conflitos de Interesses
No início do ano, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro esteve no STF solicitando a migração do ex-presidente para o regime domiciliar. Em sequência, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também se reuniu com ministros para apresentar uma solicitação semelhante. Durante esse período, a família Bolsonaro diminuiu o tom das críticas a Alexandre de Moraes e ao STF, um contraste ao comportamento digital de Nikolas, que continua a criticá-los abertamente.
“Qual escândalo precisa acontecer para que você diga ‘chega’? Recentemente, foi revelado um contrato de R$ 129 milhões entre a esposa do ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master, que está envolto em polêmicas. E ainda temos o ministro Toffoli viajando de jatinho com o advogado do banco?”, questionou Nikolas em um vídeo que já conta com 2,4 milhões de visualizações.
Embora tenha assinado o pedido de impeachment do ministro Toffoli, Flávio Bolsonaro não fez publicações atacando o ministro desde que surgiram informações sobre suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A Relação entre Flávio e Nikolas
Em 2019, Toffoli foi o responsável por arquivar ações sobre a suposta rachadinha envolvendo Flávio, suspendendo investigações que poderiam comprometer o senador. Apesar da boa relação entre Nikolas e Flávio, a falta de consenso sobre a estratégia política em Minas é evidente. Flávio desejava que Nikolas fosse o candidato a governador pelo PL, mas o deputado recusou o convite. Ele prometeu buscar um novo nome, mas, até agora, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera as pesquisas, não tem recebido o apoio de Nikolas.
Enquanto há alguns bolsonaristas que defendem a candidatura de Cleitinho para a sucessão de Zema, Nikolas expressa a interlocutores suas reservas em relação ao senador. Cleitinho já se mostrou capaz de gravar vídeos defendendo a anistia a Jair Bolsonaro, enquanto simultaneamente apoia Flávio Dino em sua luta contra benefícios no serviço público. Além disso, ele é a favor de alterações que o governo vem promovendo, algo que Nikolas rejeita.
O Que Esperar do Cenário Político em Minas?
Flávio vê Minas como um estado estratégico para a eleição deste ano, mas há incertezas sobre como conquistar os eleitores. Embora o nome da senadora Tereza Cristina (PP) seja forte na disputa pela vice, há quem sugira que o retorno de Romeu Zema seria o caminho para mudar o resultado das eleições de 2022, onde a disputa foi acirrada (Lula obteve 50,20% contra 49,80% de Bolsonaro).
Do estado mineiro pode surgir o marqueteiro para a candidatura do filho de Bolsonaro. Flávio demonstra interesse na contratação de Paulo Vasconcelos, responsável pela campanha de Cláudio Castro ao governo do Rio em 2022, que atualmente está focado na pré-campanha presidencial do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).
