Deputado Rechaça Candidatura ao Governo
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou que não irá concorrer ao governo de Minas Gerais nas próximas eleições. A declaração veio em um momento em que o político, pressionado por Flávio Bolsonaro, decidiu focar em sua reeleição e na construção de relações sólidas dentro da política mineira. “Não vou ser candidato a governador. Descartei essa possibilidade. Qualquer pessoa que estivesse no meu lugar, pensando só em eleições, iria. Mas não estou pensando só em eleição”, afirmou durante uma entrevista.
Nikolas ressaltou que para uma candidatura ao governo não basta apenas ter competência; é necessário também criar uma base que inclua secretários, deputados estaduais, prefeitos e vereadores. Ele enfatizou a importância de ter influência no Judiciário e na mídia, alertando que, sem isso, estaria se expondo a riscos desnecessários. “Estou trocando o presente pelo futuro”, disse, refletindo sobre sua decisão.
Candidatura Seria Benéfica para a Esquerda
O deputado ainda comentou que sua eventual candidatura seria um “prato cheio para a esquerda”, e, por esse motivo, prefere priorizar sua reeleição. Nikolas acredita que, ao se reeleger, poderá construir uma base mais robusta e fortalecer seus relacionamentos na política. Ele, que já enfrentou críticas por seu engajamento em pautas ligadas ao bolsonarismo, reforçou sua posição: “Sou deputado federal por Minas, e Minas é minha prioridade. No primeiro turno, estarei em Minas, e ponto final”.
Ele também mencionou que no passado foi utilizado como impulso para outros candidatos, o que acabou dificultando sua atuação. “Política é via de mão dupla, e vai ser dessa forma nessa eleição. Eu aprendi. Só vou fazer parte de um projeto se eu souber qual é o plano, a estratégia, o objetivo”, declarou.
Pressões e Relações Políticas em Minas
A hipótese de uma candidatura de Nikolas Ferreira foi impulsionada por Flávio Bolsonaro, que busca um palanque forte em Minas Gerais. Contudo, essa possibilidade poderia desafiar o vice-governador Mateus Simões (PSD), que pretende ser o sucessor do atual governador Romeu Zema (Novo). Mateus tenta consolidar sua posição como a principal alternativa da direita no estado.
Simões planeja deixar uma vaga ao Senado para o PL, como parte de um acordo estabelecido com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os nomes cogitados para essa posição estão o deputado federal Domingos Sávio, atual presidente do diretório estadual do PL, e Edésio de Oliveira, pai de Nikolas e pastor. “O presidente Bolsonaro, na última reunião que teve comigo em Belo Horizonte, logo antes de ser preso, afirmou publicamente que queria uma vaga do Senado na minha chapa para o PL”, revelou Simões ao GLOBO.
Escolha do Candidato a Vice em Debate
A definição do candidato a vice, que antes era considerada uma forma de acomodação para o PL, agora estará sob a responsabilidade de Zema. Ele deverá escolher entre nomes como a vereadora de Belo Horizonte, Fernanda Altoé, amiga pessoal de Mateus Simões, o ex-deputado Tiago Mitraud e Gleidson Azevedo, prefeito de Divinópolis e irmão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). A escolha do vice é vista como crucial para o fortalecimento da chapa que disputará as eleições no estado.
