Explorando a Sustentabilidade e a Arte
O Museu de Artes e Ofícios, localizado em Belo Horizonte, ganha vida com a nova exposição de Alexandre Brandão, intitulada “Novas Naturas”. Com uma proposta audaciosa, o artista recria a essência da natureza utilizando materiais não convencionais, como sacolas plásticas, em um convite à reflexão sobre a sustentabilidade e a preservação ambiental. A mostra desperta questões essenciais sobre como podemos ‘reflorestar’ a imaginação e a memória coletiva, em um mundo cada vez mais impactado pela crise climática.
Brandão utiliza elementos do cotidiano, como papéis de presente e materiais recicláveis, para criar obras que evocam as florestas e as matas brasileiras. Ao manipular o papel, ele busca não apenas a estética, mas também um diálogo sobre a relação entre o ser humano e a natureza. “É possível reflorestar a imaginação?” é a pergunta provocativa que surge na mente dos visitantes, respondida de forma poética pelo ambientalista Ailton Krenak, que inspira a reflexão nessa nova abordagem artística.
Conexões com a Memória e a Tradição
Ao observar as obras de Brandão, é difícil não lembrar das tradições artesanais que envolvem o uso de materiais reciclados. O artista traz à tona as lembranças de senhoras que, em coletivos, passavam horas criando peças de crochê a partir de sacolas plásticas. Essa conexão entre passado e presente se torna evidente nas texturas e formas que ele apresenta em suas obras, fazendo-nos reconsiderar o que consideramos descartável.
A exposição também faz ecoar a história de outras artistas, como a cearense Nice Firmeza, reconhecida por suas mandalas coloridas e sua relação íntima com a natureza. Assim como ela, Brandão busca capturar a vitalidade e a alegria presentes nas cores e formas da flora, mostrando que a arte pode ser um espaço de bem-viver e de resistência.
O Papel das Mulheres na Arte
Outro elemento importante que permeia a exposição é a menção às mulheres artistas, cujas contribuições foram muitas vezes minimizadas ao longo da história. Artistas como Heloísa Juaçaba e Lúcia Galvão, que dedicaram suas vidas à composição de arranjos florais, representam uma tradição que Brandão honra em sua pesquisa. Ao reimaginar as técnicas e práticas artísticas que elas deixaram, ele amplia a narrativa da arte contemporânea, trazendo à luz a força criativa feminina.
Brandão, por sua vez, não se limita a reproduzir; ele busca reinterpretar e reordenar o conhecimento acumulado, fazendo jus à herança artística que recebeu. Com suas esculturas e desenhos, ele nos leva a questionar como podemos nos reconectar com a natureza em um mundo que, muitas vezes, parece alheio a essa necessidade.
Um Convite à Reflexão
O artista nos convida a olhar para o futuro de uma maneira que resgata tradições ancestrais e reinterpreta a necessidade de viver em harmonia com o meio ambiente. “Saberemos ler uma árvore? Ouvir as plantas? Conversar com os rios?” são perguntas que flutuam no ar enquanto os visitantes exploram a exposição. Esse convite à introspecção é crucial em tempos de desmatamento e degradação ambiental.
Brandão busca reacender em nós a capacidade de sonhar e esperançar florestas, trazendo à tona o desejo de preservar a vida em todas as suas formas. A arte, para ele, é um meio de reflexão e conscientização, uma forma de praticar o que ele chama de ‘florestania’, um vínculo profundo entre o ser humano e a natureza.
Com a exposição “Novas Naturas”, que ficará em cartaz até o dia 3 de janeiro de 2026, o Sesi Museu de Artes e Ofícios se transforma em um espaço de contemplação sobre as relações que estabelecemos com o planeta, nos instigando a repensar nossas práticas e valores.
Seu acesso é livre, e a visitação acontece de terça a sexta das 10h às 17h, e aos sábados das 9h às 17h, excluindo segundas e domingos, quando o museu permanece fechado.
