Desafios e Oportunidades para o Novo em Minas Gerais
O partido Novo se encontra em um momento crucial em sua trajetória em Minas Gerais. Desde 2018, o estado se destacou como um importante reduto da legenda, especialmente com a eleição de Romeu Zema para o governo. No entanto, a situação mudou drasticamente, pois Zema, atual pré-candidato à Presidência da República, deixará o cargo no dia 22 de março, dando início à sua pré-campanha.
Assumindo o comando do governo, Mateus Simões, que foi vice-governador e trocou o Novo pelo PSD em outubro de 2025, é visto como uma figura central para o futuro do partido. Sua saída do Novo causou desconforto entre filiados e apoiadores, que percebem o enfraquecimento da legenda.
A perda de Zema representa um golpe significativo para o Novo, que atualmente não possui representantes no Congresso Federal e conta apenas com dois deputados na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Enfrentando a cláusula de barreira, que pode ameaçar sua continuidade no cenário político, o partido precisa urgentemente reforçar sua base.
Possibilidades de Candidaturas e Desafios Estratégicos
Uma das alternativas mais cogitadas para o fortalecimento do Novo seria a candidatura de Zema ao Senado, onde sua eleição seria relativamente fácil. Contudo, essa possibilidade foi descartada pelo próprio governador, que acredita que seu perfil é mais adequado ao Executivo. Com isso, o foco da legenda se volta para a busca de nomes que possam compor a chapa ao lado de Simões.
Um nome em destaque é o da vereadora Fernanda Altoé, de Belo Horizonte. Em seu segundo mandato, ela foi a quarta vereadora mais votada na capital em 2024, destacando-se por sua postura firme nas discussões legislativas. Embora tenha recebido a indicação para ser vice na chapa de Simões, Altoé ressalta que sua prioridade permanece na pré-candidatura a deputada estadual.
“Estou honrada com a indicação para vice, mas é fundamental que eu continue meu trabalho de pré-candidatura a deputada estadual, aguardando um cenário que não posso controlar”, afirmou Fernanda, demonstrando cautela em suas expectativas.
Expectativas para a Pré-Campanha e a Indicação do Vice
Simões, quando questionado sobre seu potencial vice, preferiu não revelar nomes, afirmando que essa decisão será coletiva. “Ainda é cedo para falar sobre o vice. Essa escolha será do governador Zema”, disse, enfatizando que a definição inclui outros fatores políticos e partidários.
Em meio a essas movimentações, o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, também expressou sua intenção de concorrer ao governo mineiro, tendo o apoio de figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, fala-se que o prefeito de Patos de Minas, Luis Eduardo Falcão, seria um potencial vice na chapa de Cleitinho, trazendo seriedade ao pleito.
O deputado Cristiano Caporezzo, aliado de Bolsonaro, criticou Simões, avaliando que sua influência junto ao eleitorado é limitada. Para Caporezzo, a disputa por um nome forte em Minas é crucial, principalmente considerando a relevância do estado nas eleições gerais.
Fortalecimento e Financiamento das Campanhas
A estratégia do Novo inclui não apenas encontrar um bom nome para a chapa, mas também fortalecer as candidaturas a deputados federais. O advogado Marco Antônio Costa, que se mudou para Minas e é conhecido nas redes sociais, está na corrida para a câmara federal, enquanto Gleidson Azevedo, prefeito de Divinópolis, também é um nome forte na chapa.
Com a experiência de uma campanha eleitoral de baixo custo em 2018, quando Zema foi eleito, o Novo agora enfrenta um cenário de elevações nos gastos. Em 2022, a campanha do governador custou mais de R$ 16 milhões, e as expectativas para as próximas eleições são de que os custos aumentem ainda mais. Contudo, o fundo partidário que o Novo receberá será um dos menores do país.
Simões Reforça sua Base e Visão para o Futuro
Simões tem percorrido o interior de Minas, buscando se conectar com a base do partido e trazendo novas promessas para o governo. Ele acredita que a unidade da direita é essencial para as próximas eleições, e suas ações visam evitar uma volta da esquerda ao poder. “É fundamental que a direita se una para garantir que o trabalho que Zema começou possa continuar”, destacou.
Além disso, Simões defendeu sua própria candidatura, ressaltando que, sob a liderança de Zema, eles conseguiram implementar importantes projetos, como a ampliação do metrô de Belo Horizonte. “O governador escolheu meu nome como sucessor pela confiança em continuar os grandes projetos que temos pela frente”, concluiu.
