Uma nova leitura do Barroco
O Barroco, marcado por seu excesso e contrastes, é o ponto de partida da exposição “O Sorriso do Barroco”, que acontece na Casa Fiat de Cultura entre 24 de março e 24 de maio de 2026, com entrada gratuita. A mostra reúne 64 obras, incluindo pinturas e porcelanas do artista mineiro Iuri Sarmento, que apresenta uma releitura contemporânea dessa rica herança cultural, especialmente significativa em Minas Gerais. Com curadoria de Marcus Lontra, a exposição oferece ao público uma oportunidade de explorar diferentes interpretações dessa estética, que deixou um legado duradouro nas igrejas, cidades e no imaginário do Brasil colonial.
A proposta central da mostra é refletir sobre a forma como uma estética caracterizada pelo excesso ornamental, dramaticidade e contraste pode continuar a inspirar novas leituras no século XXI. Através das obras de Sarmento, elementos clássicos do Barroco, como arabescos, volutas e cores vibrantes, se entrelaçam com referências culturais que dialogam com as tradições de Minas Gerais e da Bahia.
Imagens que evocam a tradição
A exposição não só resgata a tradição religiosa e arquitetônica do Barroco, mas também incorpora aspectos da cultura popular brasileira. “Minhas obras são como camadas que se acumulam, quase como uma colagem, até formar uma imagem que une o passado e o presente”, compartilha Sarmento. Essa abordagem permite que os visitantes visualizem como a estética barroca ainda ressoa na arte atual.
Nas obras exibidas, elementos como azulejos e composições florais são ressignificados, criando narrativas visuais que misturam memória e fantasia. Em muitas criações, esses fragmentos se organizam como mosaicos, estabelecendo um diálogo entre a tradição decorativa e a liberdade contemporânea.
Um percurso imersivo e envolvente
O visitante é convidado a uma jornada onde cada peça dialoga com a outra, construindo uma narrativa coesa. As obras se interconectam por meio de formas, cores e temas, proporcionando uma experiência imersiva que amplia a compreensão do Barroco como uma linguagem viva. Marcus Lontra, curador da exposição, enfatiza que a produção de Iuri Sarmento traduz essa herança de maneira única: “O artista constrói sua linguagem a partir dos dramas do barroco colonial, integrando referências históricas e elementos da cultura popular em um campo expandido da arte contemporânea, onde o excesso e a imaginação abrem novas possibilidades de interpretação”.
Reflexões sobre a tradição e a modernidade
“O Sorriso do Barroco” também traz à tona a rica influência deste movimento artístico no Brasil. Em Minas Gerais, o Barroco não se restringiu a uma mera estética, mas se consolidou como uma forma de expressão cultural que permeia a arquitetura, escultura, pintura e modos de vida. A exposição convida o público a perceber como a arte se adapta e se reinventa ao longo do tempo ao revisitar esse legado por meio da produção de Iuri Sarmento.
Em comemoração aos 20 anos da Casa Fiat de Cultura, Massimo Cavallo, presidente da instituição, destaca: “Após explorar a estética de mestres como Aleijadinho e artistas renomados do Barroco Europeu, estamos reafirmando nosso compromisso com iniciativas que conectam tradição e contemporaneidade. Revisitar matrizes fundamentais da cultura é reconhecer a arte como um território em constante transformação”.
Evento de abertura e bate-papo
Para a abertura da exposição “O Sorriso do Barroco”, um bate-papo com o curador Marcus Lontra e o artista Iuri Sarmento será realizado no dia 24 de março, às 19h30, na Casa Fiat de Cultura. O encontro busca refletir sobre a permanência e a reinvenção do Barroco na atualidade, discutindo os processos criativos da mostra e o diálogo entre Minas Gerais, Bahia e a identidade brasileira. O evento é gratuito e as inscrições podem ser feitas pela Sympla.
Sobre o artista e o curador
Iuri Sarmento, artista visual nascido em Montes Claros, é conhecido por sua capacidade de recriar o Barroco brasileiro em uma perspectiva contemporânea. Graduado em Artes Plásticas, sua obra é marcada pela intensidade das cores e pela combinação de referências eruditas e populares. Já Marcus Lontra, curador e crítico de arte, traz uma vasta experiência na criação de instituições culturais e na realização de curadorias relevantes tanto no Brasil quanto no exterior.
