Estratégia Definida para 2026
Com o horizonte eleitoral de 2026 se aproximando, os membros da oposição no Congresso Nacional já delinearam suas prioridades, mesmo com a expectativa de um ano legislativo menos movimentado. Deputados e senadores oposicionistas pretendem centrar suas ações em estratégias que visam desgastar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta é transformar a Câmara e o Senado em plataformas que ressoem as inquietações da população.
Entre as principais pautas está o escândalo envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a intenção de abrir a chamada “CPI do Banco Master”. Os parlamentares afirmam ter coletado o número necessário de assinaturas para a abertura da comissão, aguardando apenas a decisão do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A proposta é que a CPI seja mista, envolvendo tanto deputados quanto senadores.
Alvos Estratégicos da Oposição
O deputado Evair de Mello (PP-ES), que exerce a função de vice-líder da oposição na Câmara, explicou que a escolha das pautas foi estratégica, visando temas que possam gerar desgastes tanto para Lula quanto para Moraes, que também enfrenta pedidos de impeachment. “A criação da CPI é necessária por se tratar de um ‘produto’ que nos atende nessas duas frentes”, afirmou Mello em entrevista ao PlatôBR.
Ele ainda comentou sobre a necessidade de pragmatismo em um ano eleitoral, onde o tempo para os trabalhos legislativos será reduzido. “Nós iremos trabalhar intensamente nas investigações sobre o Banco Master, pois esse assunto possui potencial para afetar o governo e, simultaneamente, o STF”, destacou o deputado. Essa afirmação se refere a reportagens que revelaram um contrato entre o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci, e o banco, além de encontros do ministro com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A oposição também espera que a abertura da CPI possa levar a embaraços adicionais ao governo, especialmente com a possível delação de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, ou com quebras de sigilo que a comissão possa conseguir. O pedido para a investigação foi apresentado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ).
Desafios para a Abertura da CPI
Apesar do empenho em pressionar Davi Alcolumbre para a abertura da CPI, os oposicionistas demonstram ceticismo quanto à disposição do presidente do Senado em avançar nessa pauta, dada a possibilidade de conflito com o STF. “Para mim, a investigação do Banco Master é só a ponta do iceberg, e por isso enfrentamos uma grande resistência. Muitos líderes políticos já me alertaram sobre o risco de Alcolumbre evitar a instalação da CPI”, desabafou Jordy. Ele complementou que, caso a CPI não avance, isso poderia resultar em uma solicitação de impeachment do presidente do Senado por crime de responsabilidade.
Investigações no INSS e Segurança Pública
A oposição planeja continuar com as investigações na CPI Mista do INSS, incentivada por novas informações sobre depósitos realizados em nome de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, pelo empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. “A CPI do INSS é uma pauta extremamente importante para nós, pois está avançando gradativamente e pode culminar em novas revelações que atinjam o governo”, enfatizou Evair de Mello.
Além disso, a oposição já se prepara para direcionar críticas ao governo em relação à segurança pública, um tema que promete ser central nas eleições deste ano. “A esquerda nunca conseguiu lidar bem com essa questão, pois sua perspectiva sobre segurança pública é bastante distorcida. A população não suporta mais a criminalidade e a sensação de impunidade”, disparou Jordy.
Outro ponto de crítica da oposição recai sobre o desempenho financeiro de estatais, como os Correios, que de acordo com dados do Banco Central, acumulam um déficit de R$ 6,3 bilhões de janeiro a novembro de 2025. Este valor representa o pior resultado registrado desde o início da série histórica em 2002.
