Repercussão do Vídeo Ironico
O vereador Pablo Almeida (PL), de Belo Horizonte (MG), se tornou o centro de uma polêmica ao utilizar um vídeo satírico sobre assistência social para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O conteúdo, que ganhou destaque nas redes sociais, especialmente no TikTok, apresenta mulheres alegando ter acesso a vantagens que, na verdade, são fictícias.
No vídeo, um grupo de mulheres lista supostos ‘benefícios’ recebidos no Maranhão, incluindo a afirmação de que não precisam pagar contas de água e luz. Uma das participantes do vídeo diz: “Aqui eu não preciso pagar a luz, gente. Não preciso me preocupar com essas coisas. Inclusive a minha está ligada faz tempo, nunca desliguei, porque não preciso pagar!”. Essas declarações, no entanto, são carregadas de ironia e fazem parte de um perfil humorístico chamado “Lá eu disse coisa”, que tem como objetivo satirizar questões sociais.
O clipe, que já ultrapassou um milhão de visualizações, mostra uma personagem preparando um gambá para celebrar o “reilevon” (réveillon). O vereador, aparentemente convencido de que os relatos eram verídicos, reagiu com indignação, afirmando que os benefícios ilusórios demonstram uma falta de consideração com quem realmente trabalha para pagar impostos.
“Para vocês terem esses benefícios, tem gente que está trabalhando e pagando para que você fique aí, com a luz ligada o dia inteiro. Quem paga essa conta é a classe trabalhadora”, expressou Almeida em sua crítica.
O Contexto das Críticas
Além disso, o vereador compartilhou uma reportagem da Gazeta do Povo que informa que os brasileiros terão que arcar com R$ 47 bilhões em subsídios para a conta de luz. Apesar disso, o texto esclarece que não existe um programa do governo federal que garanta isenção total na conta de energia elétrica. As famílias de baixa renda podem se qualificar para a tarifa social ou até mesmo gratuidade, mas apenas até os primeiros 80 kWh.
Uma das personagens do vídeo enfatiza a ironia ao dizer: “Um benefício que eu tenho é que posso gastar água na hora que quiser. Quando vou ao banheiro, deixo o chuveiro ligado. Vou lavar vasilha com a torneira derramando água para todo lado. Eu não me preocupo, porque não pago água”. Essa afirmação, feita em tom de brincadeira, foi interpretada por Almeida como um reflexo de um desejo de levar vantagem sem responsabilidade.
O vereador expressou seu descontentamento, afirmando que “o sentimento de querer levar vantagem em tudo é um negócio assim, absurdo”, embora, na prática, não exista um programa no Brasil que ofereça gratuidade na conta de água.
Resposta da Produção do Vídeo
Após a repercussão da crítica de Almeida, um comentário no vídeo questionou se as falas eram realmente irônicas. Uma das criadoras de conteúdo do perfil humorístico respondeu: “Onde que existe morar em uma casa e não pagar luz, não pagar água, ter tudo de graça? Isso não existe”. Ela destacou que o conteúdo é uma obra de ficção e não representa a realidade.
“Isso não é verdade, gente. É só ironia. Nós somos criadores de conteúdo. A gente cria, não é realidade. (…) Infelizmente, a internet hoje é assim: viu, acreditou”, completou a influenciadora, ressaltando a natureza humorística da produção.
Contexto Político e Perspectivas Futuras
Pablo Almeida, por sua vez, aproveitou a ocasião para associar as alegações falsas de benefícios assistencialistas aos governos do Partido dos Trabalhadores e alimentar uma narrativa de oposição ao governo Lula, com vistas às eleições de 2026. Ele destacou que o voto das pessoas apresentadas no vídeo “valem o mesmo que o seu” e criticou a possibilidade de o atual governo cumprir com as contas públicas.
A reportagem tentou contato com o gabinete do vereador para obter um posicionamento mais detalhado sobre o vídeo e suas afirmações, mas até o fechamento deste artigo, não houve retorno. O espaço permanece aberto para possíveis esclarecimentos futuros.
