Um Chamado à Paz Verdadeira
O apelo à construção de uma paz desarmada e desarmante ganha força na mensagem do Papa Leão XIV, em alusão ao Dia Mundial da Paz de 2026. Este convite, em tom de convocação, emerge diante das circunstâncias delicadas que a humanidade enfrenta. A gravidade de diversos problemas atuais destaca a necessidade urgente de acolher essa proposta. O primeiro passo nesse caminho é respeitar princípios éticos fundamentais, bem como desenvolver uma disciplina espiritual que seja vital para a consecução da paz. A paz desarmada e desarmante não pode ser conquistada unicamente por motivações políticas ou ideológicas que perpetuam divisões e preconceitos.
O desejo de paz, manifestado na expressão bíblica “a paz esteja convosco”, encontra sua referência nas palavras de Jesus Ressuscitado, que trazem alegria e a capacidade de superar medos. Este medo, por sua vez, pode gerar atitudes que minam os esforços pela paz.
A Luz de Cristo como Guia
A paz que provém de Cristo transforma e ilumina aqueles que a recebem, capacitando-os a promover um ambiente de inclusão, respeito e solidariedade. É uma paz que se origina de Deus e deve ser recebida como uma força espiritual, orientando as ações do ser humano nos âmbitos social e político. A fonte dessa paz é Cristo, que venceu a morte e destruiu as barreiras que separam os seres humanos. Ele representa a esperança para todos aqueles que buscam semear a paz, pois Jesus, como bom pastor, deu sua vida para redimir suas ovelhas. As lições de Cristo são refletidas na vida de muitos que se dedicam à defesa da vida em todas as suas fases, iluminando as trevas de nosso tempo e dissipando suas sombras.
O que se espera de um novo ano será sempre mais significativo se houver um esforço genuíno para extinguir a escuridão e o sofrimento. Isso implica um maior compromisso com a verdade e a justiça.
O Compromisso Individual com a Paz
Visualizar a luz que é Cristo Jesus é essencial para não se deixar levar pela escuridão. Essa é uma exigência especial para os seguidores de Cristo, que são chamados a sensibilizar corações por meio de seu testemunho e a ajudar outros a contemplar o horizonte do Ressuscitado. Essa iluminação é uma motivação que sustenta os promotores da paz. Ignorar a luz que vem de Cristo pode ser um risco considerável, levando ao fracasso e à força negativa que compromete a paz, gerando diversas formas de violência. Nessa linha, o Papa Leão XIV evoca Santo Agostinho, que incentivava os cristãos a manter uma amizade inquebrantável com a paz, para que pudessem irradiar seu calor luminoso.
Todo cidadão, independentemente de sua crença, é chamado a se abrir à paz. Essa não é uma tarefa simples. A paz é um caminho que depende da atitude individual, orientando ações em prol de uma realidade mais pacífica.
Paz como Força Restauradora
A paz possui um poder restaurador, mesmo em meio às ruínas deixadas por guerras. Essa paz é vivenciada pelos discípulos de Jesus quando Ele lhes oferece sua bênção, ajudando-os a superar o medo e a experimentar uma alegria que promove justiça e fraternidade. A alegria cristã tem o potencial de dissipar a confusão que ofusca o ser humano, auxiliando na rejeição de atitudes violentas. A paz oferecida por Jesus é desarmada. Sua luta, embora enfrentando um contexto sociopolítico adverso, não foi armada. Por isso, seus seguidores são convocados a testemunhar a fé de maneira pacífica, sem se tornar cúmplices das tragédias que assolam a humanidade.
A paz não deve ser encarada como um ideal distante, mas sim como uma realidade a ser cultivada e experimentada, orienta o Papa Leão XIV. Caso contrário, o ser humano poderá ser consumido pela agressividade em suas interações diárias, tanto na vida pessoal quanto no espaço público. Essa agressão, frequentemente, indica uma carência na busca pela paz e pode contaminar líderes políticos, como evidenciado pelo panorama atual de desestabilização da harmonia global, marcado por conflitos que geram incertezas sobre o futuro da humanidade.
Abertura para o Diálogo e o Caminho da Paz
Atualmente, presenciamos uma corrida armamentista em múltiplas dimensões. Em meio a esse contexto, a ideia lamentável de que a segurança deve ser sempre armada prevalece, ignorando a possibilidade de um mundo baseado em uma paz desarmante. A construção de uma paz desarmada exige mais diálogo e abertura, capaz de iluminar novos avanços tecnológicos e inspirar o uso adequado da inteligência artificial, evitando que essas ferramentas sirvam à promoção de guerras e de lógicas que busquem exterminar o outro.
O Papa nos alerta sobre a ilusão de que a segurança pode ser alcançada por meio de uma corrida armamentista, uma espiral de destruição que compromete os fundamentos do humanismo necessário para a proteção das civilizações. Denunciar os interesses econômicos que levam os países a investirem cada vez mais em armamentos é essencial. Ao mesmo tempo, cada indivíduo deve renovar seu compromisso com a paz, praticando o diálogo, a justiça social e a busca por igualdade. O início de um novo ano civil representa uma oportunidade para assumir novos compromissos, especialmente no que diz respeito a ouvir os clamores dos menos favorecidos. Dessa forma, poderemos motivar e iluminar, em cada coração, a busca por uma paz desarmada e desarmante, à luz da mensagem de Cristo, o verdadeiro Rei da Paz.
