Política de Reajustes da Petrobras
A Petrobras reiterou, nesta quinta-feira (3), que não existe uma periodicidade definida para os reajustes dos preços dos combustíveis, desmentindo as alegações de que seus preços estariam defasados. A declaração surgiu em resposta a um ofício da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que investigou a questão após uma reportagem do portal Brazil Journal.
O artigo em questão, publicado no final de março, mencionava dados da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) que apontavam que o preço do diesel vendido pela Petrobras estaria 86% abaixo da paridade internacional, enquanto a gasolina apresentaria uma defasagem de 64%. Em sua defesa, a Petrobras argumentou que mantém suas diretrizes comerciais, mesmo diante das recentes tensões geopolíticas, como a guerra no Irã.
“Os reajustes de preços são realizados sem uma periodicidade estabelecida, evitando o repasse imediato das variações do mercado internacional e da taxa de câmbio para os preços internos. Essa prática é habitual na Petrobras e considera fatores como as condições de refino e logística da empresa”, explicou a estatal em nota oficial. “Quando há necessidade, esses ajustes são baseados em análises técnicas e respeitam as diretrizes de governança da companhia”, complementou.
Reajustes Recentes e Programa de Subvenção
A Petrobras também contestou os números apresentados pela Abicom e destacou os reajustes recentes, que incluem um aumento de R$ 0,38 por litro na venda de diesel A às distribuidoras. Além disso, enfatizou sua participação no programa de subvenção do governo federal, que subsidia a comercialização do diesel com um valor de R$ 0,32 por litro para as empresas que estão dentro do programa.
“Portanto, considerando a combinação do ajuste de preços para as distribuidoras e a subvenção oferecida, o impacto é equivalente a R$ 0,70 por litro”, informou a Petrobras. “A empresa reafirma seu compromisso com a sustentabilidade financeira, buscando um equilíbrio entre suas operações e o mercado”, acrescentou.
Pressão Governamental e Críticas do Presidente
O questionamento da CVM surge em um contexto de preocupação por parte dos investidores sobre possíveis pressões do governo em relação à estatal, visando evitar aumentos nos combustíveis. Na última quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou sobre um leilão de gás de cozinha realizado pela Petrobras, classificando-o como “bandidagem”. O leilão, segundo Lula, teve um resultado com ágios superiores a 100%, uma situação que ele considera inaceitável. “Vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, declarou o presidente.
