Motivos por Trás da Estratégia do PL
Diante da crescente insatisfação de deputados do PL de Minas Gerais, a estratégia do partido de filiar parlamentares com mandato, tanto na Câmara dos Deputados quanto na Assembleia Legislativa (ALMG), gerou polêmica. A sigla busca justificar essa abordagem, que visa atrair nomes já consolidados em suas bases eleitorais, enquanto tenta acalmar os ânimos dentro da legenda.
Segundo informações obtidas por O Fator, o PL começou a atual legislatura com 99 deputados federais, no entanto, já perdeu 12 representantes ao longo do tempo. Com a abertura da janela partidária, programada para o dia 6 de março, a expectativa é que novas desfiliações reduzam a bancada para aproximadamente 75 parlamentares ao final do processo de trocas. Muitos desses desligamentos são motivados por questões regionais.
A análise interna da sigla indica que a preservação de um grupo robusto de parlamentares vai além da mera contagem de votos nas próximas eleições. Para líderes do partido, garantir entre 90 e 100 deputados é fundamental para a continuidade da influência e capacidade de articulação na Câmara até o término do mandato, marcado para 1º de fevereiro de 2027. Esse cenário é considerado crucial, especialmente com a previsão de pautas que podem impactar diretamente a campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscará a reeleição.
Expectativas em Minas e Reflexos na Estrutura do Partido
No entanto, no âmbito local, a expectativa é de que não ocorram desfiliações significativas na agremiação que apoia o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para minimizar as perdas, o PL tem como objetivo filiar novos parlamentares, priorizando aqueles com forte atuação em regiões onde ainda não possui representação.
Entretanto, essa estratégia enfrenta resistência de membros já filiados. Como relatado por O Fator, a entrada de novos políticos pode complicar acordos feitos anteriormente, que previam a impossibilidade de novos mandatários se juntarem ao partido. O deputado federal Nikolas Ferreira e outros integrantes expressaram preocupação, temendo que a inclusão de novos nomes possa prejudicar as chances de reeleição dos atuais filiados, especialmente para as chapas de candidatos à Assembleia e Câmara dos Deputados.
Nos bastidores, o grupo em torno de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, trabalha para amenizar as tensões internas, buscando equilibrar as novas adesões com os compromissos previamente assumidos. No rol de convites estendidos, nomes como o Delegado Marcelo Freitas (União Brasil) e Greyce Elias (Avante) já foram abordados. Além deles, informações extraoficiais indicam que a Delegada Ione (Avante) e Stefano Aguiar (PSD) também estão em conversas avançadas com o PL.
Com a aproximação da janela partidária, o clima dentro do PL de Minas tende a ser de expectativa e cautela. A movimentação em torno das filiações refletirá não apenas na configuração da bancada, mas também na estratégia política para os próximos anos. Para os integrantes da sigla, a necessidade de se reforçar com novos parlamentares é vista como um desafio que pode determinar o futuro do partido nas próximas eleições.
