Força-Tarefa Integrada Contra Crimes Ambientais
A Polícia Federal (PF) de Minas Gerais está prestes a implementar uma nova etapa em sua luta contra a exploração irregular de minérios. Após desmantelar esquemas bilionários que envolviam a atuação de servidores públicos em entidades responsáveis pela proteção do patrimônio mineral, a corporação agora coordena a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) Ambiental. Esse grupo reunirá autoridades ambientais tanto da União quanto do governo do estado, com um investimento de pelo menos R$ 36 milhões, destinado a tecnologias que permitirão a identificação de um tipo de “DNA” dos materiais. Com isso, pretende-se evitar que produtos provenientes de extrações ilegais sejam vendidos como se fossem de origem legal.
Desde sua criação em 2014, a Ficco já atuou em diversas operações, unindo forças policiais federais e estaduais para investigar crimes graves. O planejamento do Ficco Ambiental faz parte do “Projeto Minas”, da PF, e foi apresentado pelo superintendente regional, Richard Murad Macedo, como um dos projetos mais significativos para o futuro da corporação. Entre os organismos que participarão desta iniciativa estão a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Ibama, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMbio) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), além da Polícia Militar de Meio Ambiente.
Casos Recentes de Destruição Ambiental
Macedo destacou um caso grave que ocorreu em Minas, onde uma atividade minerária causou a destruição de um sítio arqueológico, soterrando uma caverna. “Se já tivéssemos a Ficco Ambiental em funcionamento, poderíamos ter evitado essa tragédia”, disse ele, recordando a operação “Rejeito”, que investigou a mineradora Patrimônio Mineração, responsável pela destruição da caverna na comunidade de Botafogo, em Ouro Preto, em março de 2025. Este incidente está diretamente ligado a um esquema bilionário que explora a conivência de órgãos ambientais em Minas Gerais.
As operações “Rejeito” e “Parcours”, a última focada na mineração na Serra do Curral, em Belo Horizonte, foram conduzidas pela Delegacia de Meio Ambiente (DMA) da PF, a maior unidade da corporação dedicada à apuração de crimes ambientais. Macedo afirmou que, ao assumir a superintendência da PF em Minas, percebeu a necessidade de recursos para fortalecer a delegacia. “Por isso, promovemos melhorias significativas, que resultaram em megaoperações. A DMA de Minas é maior do que a do Amazonas”, complementou.
Laboratório de Rastreabilidade Mineral: Uma Nova Esperança
Outra inovação importante na luta da PF contra crimes ambientais é o Laboratório de Rastreabilidade Mineral, que será o primeiro desse tipo no Brasil. Este laboratório é resultado de uma colaboração entre a PF e o Ministério Público Federal (MPF), e os investimentos para sua construção, cerca de R$ 16 milhões, foram provenientes de operações anteriores contra crimes ambientais. Com a nova tecnologia, a PF poderá identificar a origem dos produtos das mineradoras.
“Embora não possamos determinar exatamente de onde vem um minério, como ouro ou diamante, poderemos indicar de onde ele não poderia ter vindo. Através de amostras moleculares, conseguiremos validar ou contestar a veracidade dos documentos apresentados pelos empresários e isso será suficiente para embasar uma prova criminal”, explicou Macedo.
Reforços Financeiros e Tecnológicos
Além dos recursos obtidos em operações contra crimes ambientais, a Ficco Ambiental contará com recursos do Comitê Gestor do Fundo do Rio Doce. Macedo revelou que foi solicitado um investimento adicional de R$ 20 milhões para incrementar as ações de combate a crimes minerários e ambientais. “O pedido já foi aprovado pelo comitê gestor, e agora estamos finalizando a transferência dos valores para que possamos reformular nosso parque tecnológico”, finalizou.
