Desafios da Poluição de Mananciais
A recente criação de uma força-tarefa para restringir o acesso, conter a degradação e prevenir afogamentos na represa Vargem das Flores destaca um problema crítico em todo o Brasil: a poluição de reservatórios urbanos. Este desafio afeta diretamente o abastecimento de aproximadamente 500 mil pessoas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas não se restringe a essa localidade. O fenômeno é resultado da expansão desordenada das cidades sobre áreas de mananciais, causando uma série de danos ambientais e sociais.
Conforme relatórios, a contaminação da água ocorre principalmente devido ao avanço de ocupações irregulares nas margens dos reservatórios, ao descarte inadequado de resíduos e, de maneira alarmante, ao lançamento de esgoto doméstico sem tratamento. Essa degradação não só compromete a qualidade da água, mas também eleva os custos de tratamento para torná-la potável, além de aumentar o risco de proliferação de algas tóxicas, como as cianobactérias.
Iniciativas e Exemplos de Sucesso
Embora a situação atual seja preocupante, experiências de recuperação em outras regiões do Brasil mostram que é possível restaurar represas e lagos urbanos, desde que haja planejamento e investimento contínuo. Projetos exitosos, em sua maioria, combinam fiscalização rigorosa, obras de saneamento e ações de educação ambiental, essenciais para reverter anos de abandono e degradação ambiental.
Um exemplo notável é o caso da represa Guarapiranga, em São Paulo, que abastece milhões de pessoas. Desde 2005, o Programa Mananciais tem promovido a recuperação da área através de várias ações, incluindo a urbanização de assentamentos precários, remoção de moradias em áreas de risco e, principalmente, a instalação de redes de coleta e tratamento de esgoto. Essas intervenções têm se mostrado eficazes, garantindo um abastecimento seguro e de qualidade para a população.
Outro caso emblemático é o do Lago Paranoá, em Brasília. Depois de passar por um intenso processo de degradação, com o lançamento indiscriminado de esgoto nas décadas de 1970 e 1980, o lago teve sua situação revertida por meio de um megaprojeto iniciado nos anos 1990. A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) implementou duas estações de tratamento de esgoto nas regiões da Asa Norte e Asa Sul, além de coletar esgotos de todas as cidades localizadas nas bacias hidrográficas adjacentes ao lago. Essas ações restauraram a balneabilidade do corpo d’água, devolvendo à comunidade um espaço seguro para lazer.
Modelo de Proteção das Nascentes
No Paraná, o Programa Olho d’Água serve como uma importante referência para a proteção de nascentes. Com foco em ações preventivas, a iniciativa promove o cercamento de fontes, o reflorestamento de matas ciliares e a adoção de práticas de conservação do solo. Esses métodos visam garantir que a água chegue em melhores condições aos reservatórios, o que, por sua vez, reduz a necessidade de tratamentos complexos e custosos.
Esses exemplos demonstram que a recuperação dos mananciais exige uma abordagem integrada, que vai além do tratamento da água. O objetivo deve ser garantir segurança hídrica, recuperar espaços de lazer para a população e melhorar a qualidade de vida no ambiente urbano. Portanto, a luta contra a poluição de mananciais é também uma luta pela saúde e bem-estar das comunidades que dependem desses recursos.
