Incertezas Sobre a Pinacoteca Minas Gerais
O futuro do Prédio Verde da Praça da Liberdade, localizado na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, permanece indefinido após seis anos de obras. Em junho de 2022, o ex-secretário de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, anunciou que o espaço seria destinado à Pinacoteca Cemig Minas Gerais. No entanto, a nova gestão da secretaria revelou que a continuidade do projeto não está assegurada devido à falta de verba disponível.
A atual secretária de Cultura de Minas Gerais, Bárbara Botega, mencionou em entrevista ao Estado de Minas que estudos estão sendo realizados para otimizar o uso do Prédio Verde. “Certamente, ele terá um uso cultural significativo, porém, em razão de questões relacionadas ao acervo e recursos, estamos avaliando se realmente será a pinacoteca”, afirmou.
Com a proposta de ser a primeira pinacoteca do estado, o espaço ocuparia dois andares do Prédio Verde, que desde 2020 abriga a Casa do Patrimônio Cultural de Minas Gerais. O objetivo principal seria promover e preservar o patrimônio cultural, tanto material quanto imaterial, de Minas Gerais. Para isso, a verba seria proveniente do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), mas até o momento isso ainda não foi concretizado, o que tem atrasado o andamento do projeto. Além disso, não há informações sobre quem administrará o local.
Avanços e Desafios da Reforma
A reforma do Prédio Verde, que utilizou recursos do Pronac, está prevista para ser finalizada ainda este ano. Botega comentou sobre o andamento das obras: “Estamos fazendo todo o possível para cumprir os cronogramas estabelecidos”.
A reportagem buscou esclarecimentos com o Ministério da Cultura sobre a tramitação de qualquer projeto relacionado à Pinacoteca Cemig Minas Gerais. A resposta foi de que não encontrados registros, embora tenha sido ressaltado que a iniciativa pode estar vinculada a outros processos.
O evento de lançamento oficial do Projeto Pinacoteca Cemig Minas Gerais e do Centro do Patrimônio Cultural Cemig ocorreu em junho de 2022. Durante a cerimônia, Leônidas Oliveira informou que o inventário das mais de mil obras que comporiam o acervo já estava em andamento. Ele destacou a importância da pinacoteca para a valorização das manifestações culturais do estado, reforçando a conexão entre a cultura e o turismo.
História e Funções do Prédio Verde
O Prédio Verde, com uma área de 9 mil metros quadrados e quatro pavimentos, foi inaugurado em 1897 e tombado pelo Iepha-MG em 1977. Ao longo de sua história, o espaço exerceu diversas funções e, após ficar fechado para visitação por mais de uma década, foi reaberto para eventos pontuais. A reforma atual, iniciada em outubro de 2019 em parceria com a Cemig e a Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes (APPA), previa a criação de uma biblioteca e de um ateliê de restauro, entre outras melhorias.
Segundo informações da Secretaria de Cultura, a primeira etapa da obra custou aproximadamente R$ 16 milhões. O Governo de Minas destinou R$ 1,5 milhão para a restauração através do Fundo Estadual de Defesa de Direitos Difusos (Fundif), enquanto outra parte dos recursos veio da Cemig por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Contudo, não há informações detalhadas sobre outras fontes de financiamento.
Exposições e Futuro do Espaço
Atualmente, o primeiro andar do Prédio Verde está aberto ao público, apresentando as exposições “Cumbara” e “55 Anos de Tombamento do Palácio da Liberdade”, com visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. A mostra “Os Corpos que Constroem”, em exibição no segundo andar, requer agendamento prévio. Em breve, será inaugurado o Ateliê Vitrine, onde o público poderá acompanhar os processos de restauro e conservação de obras.
O projeto inicial também contempla a instalação de lojas oferecendo iguarias mineiras, um restaurante especializado na culinária local e um laboratório de técnicas construtivas tradicionais. No entanto, detalhes sobre a próxima fase da reforma e a proveniência dos recursos necessários ainda não foram divulgados.
Uma Jornada em Busca da Pinacoteca Mineira
Esta não é a primeira tentativa do governo estadual em criar uma pinacoteca. A primeira iniciativa, ainda na década de 1920, visava complementar o Arquivo Público Mineiro. Em 1971, foi realizada uma exposição com obras do acervo em uma sala do Palácio da Liberdade, mas sem desdobramentos posteriores.
No contexto atual, a expectativa é que a Pinacoteca Minas Gerais finalmente se concretize, embora os desafios financeiros possam postergar essa realização. Em maio de 2022, a Infraero doou 24 obras de artistas renomados para a pinacoteca, mas, após meses de expectativa, o projeto ainda aguarda uma solução definitiva para avançar.
O Prédio Verde, localizado na Praça da Liberdade, é um ícone cultural de Belo Horizonte, cercado por outros importantes edifícios administrativos. Com sua abertura, o entorno da praça se transformou em um vibrante espaço cultural, integrando o Circuito Liberdade, um projeto do Governo do Estado que reúne mais de cinquenta equipamentos culturais na região central da cidade.
