Desafios e Oportunidades para o Brasil e o Nordeste
No cenário atual, marcado por incertezas globais, especialmente devido à guerra entre os Estados Unidos e o Irã, as palestras do Prêmio Movimento Econômico – Ano I – 2026 se destacaram por discutir as oportunidades que o Brasil, e em particular o Nordeste, podem explorar. O evento, realizado na quarta-feira (18) na Torre 5 do RioMar Trade Center em Recife, contou com a apresentação do economista da CBN, Teco Medina, da diretora de Crédito Digital para MPMEs do BNDES, Maria Fernanda Coelho, e do economista-chefe do BNB, Rogério Sobreira.
Teco Medina abordou a importância do Brasil se posicionar prontamente nas novas oportunidades que estão surgindo no cenário da desglobalização, afirmando que “o Brasil precisa chegar cedo nas festas que estão acontecendo”. Para ele, movimentos como o nearshoring, que visa trazer a produção para mais perto dos mercados consumidores, representam uma chance significativa para a indústria nacional. O economista observou que “enquanto Donald Trump estiver no poder, o nearshoring continuará a prosperar”.
Medina também salientou que o Brasil pode obter ganhos consideráveis se souber capitalizar sobre oportunidades emergentes, como a expansão de data centers, a crescente demanda por energia limpa e os avanços em inteligência artificial. “Poderíamos ser o DJ dessa festa”, provocou Medina, destacando as vantagens do país em termos de matriz energética e mão de obra qualificada.
Em relação ao cenário macroeconômico, Medina fez um diagnóstico crítico: a alta taxa de desemprego e o crescimento econômico contínuo contrastam com a deterioração dos fundamentos fiscais, incluindo uma dívida pública em ascensão e um déficit primário projetado em R$ 100 bilhões para o ano. “Estamos crescendo menos em 2025 do que em 2024 e essa tendência se estende a 2026”, alertou, sinalizando uma possível desaceleração econômica.
Crédito e Desenvolvimento no Nordeste
Maria Fernanda Coelho, do BNDES, trouxe à tona o papel crucial do crédito no desenvolvimento da região Nordeste. De acordo com sua apresentação, em 2025 as aprovações de crédito do BNDES para o Nordeste cresceram 16%, totalizando R$ 19,3 bilhões. Com destaque para Pernambuco, que viu um aumento de 60% nas aprovações, atingindo um recorde de R$ 2,7 bilhões, o estado apresentou o melhor desempenho em crédito do BNDES em uma década.
Coelho destacou que as áreas de energias renováveis, petróleo e gás, e a indústria automobilística estão entre as mais promissoras para a região. Além disso, mencionou um crescimento surpreendente de 202% em operações de inovação em Pernambuco, atrelado a um aumento significativo nos fundos garantidores que facilitaram o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas.
O fortalecimento da colaboração entre instituições financeiras também foi um ponto central na fala de Maria Fernanda. Em parceria com o Consórcio Nordeste e outras instituições, o BNDES está em processo de consolidação de uma agenda que já aprovou 189 projetos que demandam investimentos superiores a R$ 113 bilhões, desafiando a antiga crença de que a região carecia de projetos viáveis.
Perspectivas Otimistas para o Nordeste
Encerrando o ciclo de palestras, Rogério Sobreira, economista-chefe do BNB, ofereceu um panorama otimista da economia nordestina. Ele destacou que a região não é mais vista como um problema estrutural, mas como parte da solução do crescimento econômico do Brasil. “Nos últimos dois anos, o Nordeste superou o crescimento da média nacional em quase todos os setores”, afirmou, revelando que o rendimento médio real na região aumentou 14%, em contraste com 11,9% do restante do país.
Sobreira também abordou a necessidade de ampliar o acesso das empresas nordestinas aos mercados de capitais, destacando que a dependência do crédito bancário é uma barreira que precisa ser superada. “O Banco do Nordeste quer contribuir para que as empresas da região possam acessar a piscina de crédito e captação através do mercado de capitais”, enfatizou.
Com uma expectativa de crescimento do PIB brasileiro em 2% para este ano, Sobreira alertou sobre os riscos associados à prolongação do conflito no Oriente Médio e suas potenciais repercussões sobre a inflação e os preços do petróleo. “À medida que a guerra se intensifica, a probabilidade de estagflação também aumenta”, concluiu.
Celebrando a Economia Regional
O Prêmio Movimento Econômico não só promoveu debates sobre a economia, mas também celebrou as realizações de empresas e empreendedores da região. Durante a cerimônia, a fundadora do portal, Patrícia Raposo, refletiu sobre os sete anos de trajetória da iniciativa, ressaltando a importância da persistência e inovação. “Todos os finalistas são vencedores. A economia se move com quem acredita e trabalha”, finalizou.
