Expectativas de Inflação e Taxa Selic em Ajuste
Os economistas têm elevado suas previsões para a inflação tanto deste quanto do próximo ano, ao mesmo tempo em que ajustaram suas expectativas em relação a um corte na taxa básica de juros, a Selic, previsto para abril. Esses dados foram revelados no boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (30). Nesse novo cenário, os especialistas esperam uma redução de apenas 0,25 ponto percentual na Selic durante a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que passaria a ser de 14,5%. Na semana anterior, a expectativa era de um corte mais expressivo, de 0,5 ponto percentual, para 14,25% ao ano.
Na última reunião realizada este mês, o Copom decidiu por um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic para 14,75% ao ano. Essa decisão foi embasada pela cautela em relação às situações internacionais, incluindo o conflito entre os Estados Unidos e Israel com o Irã.
Embora as expectativas para a Selic no curto prazo tenham mudado, os economistas mantiveram suas previsões de longo prazo inalteradas, prevendo uma taxa de 12,5% ao final de 2023 e 10,5% no fim de 2024.
Previsões de Inflação para 2026 e 2027
Em relação à inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), houve uma alta nas estimativas para 2026, que agora é de 4,31% na mediana das projeções, em comparação com 4,17% na semana anterior. Este é o terceiro aumento consecutivo nas previsões para este indicador. Para 2024, a expectativa de inflação também foi ajustada, subindo de 3,80% para 3,84%.
A meta de inflação estabelecida pelo governo continua em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que indica que as novas previsões estão se aproximando do limite superior dessa margem.
Impactos da Guerra no Oriente Médio
Essas revisões nas contas do mercado, tanto em relação à inflação quanto às expectativas de cortes na Selic, estão diretamente ligadas às tensões no Oriente Médio. O fechamento do estreito de Hormuz, uma importante rota marítima por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, elevou os preços internacionais da commodity, impactando diretamente a economia global.
Além disso, cerca de cem economistas que participaram da pesquisa do Banco Central ajustaram suas previsões de crescimento da economia brasileira para 2023, passando de 1,84% para 1,85%. Para 2024, a expectativa de crescimento do PIB foi mantida em 1,80%, sinalizando uma leve confiança na recuperação econômica diante de um cenário global instável.
