O Retorno da Privatização na Discurso de Zema
Em um movimento que traz à tona suas promessas de campanha, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), defende a privatização dos Correios como parte central de sua pré-candidatura à Presidência em 2026. Essa proposta remete à mesma bandeira que o ajudou a conquistar o governo mineiro em 2018. Segundo Zema, a operação de empresas estatais deve ser deixada ao mercado, que, sob regulação adequada, se tornaria mais eficiente.
Desde sua ascensão ao cargo, Zema tem se posicionado como um empresário e outsider político, comprometido em minimizar a atuação do Estado e vender ativos públicos para enfrentar a crise fiscal que assola Minas. Ao longo de seus mandatos, o governador buscou estabelecer as condições políticas e legais necessárias para avançar com suas privatizações. O resultado mais significativo até agora foi a aprovação da privatização da Copasa, ocorrida no final de 2025, após alterações na Constituição estadual que eliminaram a necessidade de referendo popular. Essa medida se alinha ao Propag, um programa federal voltado para a renegociação da dívida, que visa transformar ativos em ajuste fiscal.
Desafios e Resultados Inconclusivos
No entanto, o principal objetivo de Zema, a privatização da Cemig, não foi concretizado. Considerada uma peça-chave no projeto liberal do governador desde a campanha de 2018, a estatal passou por discussões acerca de sua federalização e mudanças em seu modelo societário, mas permaneceu em um cenário de indefinição. Assim como outras estatais, como a Codemge e o MGI, a Cemig terminou o governo sem avanços significativos. As barreiras políticas, as exigências legais e o impacto eleitoral da privatização foram fatores que impediram a implementação dessas propostas.
A fala de Zema sobre os Correios deve ser considerada dentro desse contexto. Ao trazer essa questão à tona em um nível nacional, Zema escolhe abordar uma temática delicada com grande simbolismo. A privatização dos Correios não é um assunto recente no Brasil. A empresa já havia sido incluída no Programa Nacional de Desestatização durante o governo Jair Bolsonaro (PL), com a proposta de venda do controle acionário e a garantia da universalização do serviço postal. Embora o projeto tenha avançado na Câmara dos Deputados, sua tramitação foi interrompida no Senado devido à resistência política e social. Com a posse do presidente Lula (PT), o processo foi suspenso e removido da pauta federal.
Complexidade da Privatização dos Correios
A privatização dos Correios é um tema complexo, dada a operação da empresa em todos os municípios brasileiros, mesmo em áreas sem viabilidade econômica. Isso levanta questões sobre subsídios, manutenção de agências e tarifas, além da necessidade de garantir a universalização do serviço. A defesa de Zema, portanto, não apresenta um plano novo e detalhado, mas reafirma o princípio de que o Estado deve regular enquanto o mercado executa.
Essa manobra política não apenas reitera a identidade do governador, mas também destaca que, apesar de suas promessas de campanha, os resultados práticos em Minas Gerais têm sido limitados. Zema inicia sua pré-campanha evidenciando seu compromisso com o liberalismo econômico, que foi um pilar de sua gestão. Contudo, a não concretização de sua principal bandeira, a privatização da Cemig, levanta dúvidas sobre a real possibilidade de execução de suas propostas no cenário nacional.
