Desempenho da Indústria Mineira
A produção industrial de Minas Gerais enfrentou uma queda de 0,3% em fevereiro de 2026, comparado ao mês anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta diminuição se dá após um crescimento significativo de 3,3% em janeiro. Com isso, o estado se destacou como a principal influência negativa no indicador nacional, que registrou um avanço de 0,9% no mesmo período.
Entre as 15 unidades federativas analisadas, 11 apresentaram aumento na produção industrial, com os maiores destaques para o Espírito Santo, que teve um crescimento de 11,6%, e o Rio Grande do Sul, com 6,7%. Por outro lado, as quedas mais acentuadas foram observadas em Mato Grosso (-0,9%) e Goiás (-0,8%).
No acumulado do ano, Minas Gerais obteve um crescimento de 1,6%, em contraste com um resultado negativo de 0,2% em nível nacional. Ao comparar fevereiro de 2026 com o mesmo mês do ano anterior, o estado mostrou estabilidade, enquanto o Brasil sofreu uma retração de 0,7%. É importante ressaltar que fevereiro de 2026 teve 18 dias úteis, dois a menos que janeiro devido ao Carnaval.
Análise Setorial
Das 14 atividades econômicas monitoradas, seis mostraram crescimento entre fevereiro de 2026 e fevereiro de 2025. Os setores com os maiores avanços foram Bebidas, com 23,1%; Máquinas e Equipamentos, com 17,5%; e a categoria Celulose, Papel e Produtos do Papel, com 9,7%. Em contrapartida, as maiores quedas ocorreram em Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos (-23,0%), Produtos Químicos (-17,3%) e Produtos de Metal (-10,1%).
Em termos de acumulado do ano, as expansões mais significativas foram observadas em Bebidas (16,6%), Máquinas e Equipamentos (9,7%) e Indústrias Extrativas (9,1%). Por outro lado, os setores com maiores recuos incluem Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos (-20,5%), Produtos Químicos (-13,3%) e Produtos de Metal (-11,4%).
Fatores Econômicos em Jogo
Para o economista Ítalo Spinelli, da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), fatores macroeconômicos, como juros altos e a incerteza no cenário econômico, são responsáveis pela retração da atividade industrial mineira em fevereiro. “O cenário interno tem restringido a capacidade de financiamento e de consumo das famílias. O consumo de bens duráveis, que geralmente é parcelado, tende a cair quando a capacidade de pagamento diminui”, explica.
Adriano Miglio Porto, economista do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), observa que, apesar de alguns setores avançarem, outros permanecem tímidos, indicando uma desaceleração econômica geral. “Nossa expectativa é de uma expansão menor do que no ano anterior, influenciada pelo mercado interno e pela desaceleração do PIB, que, aliado aos altos juros, ainda limita a indústria. O PIB de 2026 deve ser inferior ao de 2025”, comenta Porto.
Perspectivas Futuras
O futuro econômico da indústria em Minas Gerais apresenta incertezas adicionais. O relatório do IBGE não considerou os impactos diretos dos conflitos no Oriente Médio, que têm causado flutuações significativas na cadeia de combustíveis e derivados, levantando preocupações sobre suas consequências. Spinelli indica que os dados do fechamento do trimestre, que serão divulgados em abril, poderão revelar como as tensões internacionais influenciam a indústria nacional e mineira. “Ainda é cedo para fazer previsões precisas, mas as tendências sugerem um impacto negativo”, acrescenta.
Por outro lado, Porto, do BDMG, sugere que o conflito pode impactar o setor industrial de maneiras além da retração na produção e no consumo, especialmente nas exportações. “A indústria mineira é fortemente voltada para exportação, e a turbulência energética decorrente do conflito no Oriente Médio pode levar a uma desaceleração em 2026”, conclui.
