Estados dos EUA em alerta com a construção de data centers
Os data centers, conhecidos por seu alto consumo de energia, estão se tornando alvo de propostas que visam proibir a construção desses empreendimentos em vários estados americanos. Recentemente, o Maine se destacou como um dos pioneiros nesse movimento, com a Câmara e o Senado estaduais já aprovando uma proposta que visa suspender temporariamente a criação de novos data centers. Para que essa medida se torne lei, ainda é necessária a sanção da governadora Janet Mills, do Partido Democrata.
Um data center, ou “centro de dados”, é uma instalação que armazena e processa informações. Entre os tipos mais comuns, destacam-se os data centers de nuvem (cloud), que oferecem serviços online, e os especializados em inteligência artificial, que são responsáveis pelo treinamento de modelos complexos de linguagem.
A proposta em questão prevê a proibição da construção de data centers com potência igual ou superior a 20 megawatts até novembro de 2027. Essa capacidade é significativa, pois pode consumir energia equivalente à utilizada por mais de 15 mil residências, conforme ressaltou o jornal The Wall Street Journal.
Além disso, o projeto estabelece a criação de um conselho que terá a função de propor medidas destinadas a garantir que os data centers não tenham um impacto negativo sobre a população do Maine. Atualmente, o estado conta com apenas nove data centers em operação, segundo informações do site Data Center Map. Em contraste, a Virgínia lidera o cenário americano com 579 data centers ativos, enquanto o Brasil possui 204 desses empreendimentos.
Preocupações sobre o custo de energia e o consumo de água
Apesar do número reduzido de data centers no Maine, a preocupação com o aumento do custo de energia gerado por essas instalações é um ponto central nas discussões. O estado já enfrenta uma das tarifas de energia mais altas do país, conforme dados da Administração de Informação de Energia dos EUA.
Os data centers, por sua natureza, tendem a demandar grandes quantidades de eletricidade, o que pode impactar diretamente as contas de luz dos consumidores. Analistas afirmaram à CNBC que as concessionárias de energia poderão repassar os custos de infraestrutura necessários para atender à demanda crescente, refletindo no bolso da população.
A questão do uso de água também é uma preocupação crescente. Um estudo da Universidade da Califórnia, em Riverside, revelou que fazer até 50 perguntas para o ChatGPT pode consumir meio litro de água, o que levanta questões sobre o impacto ambiental dessas operações.
A deputada estadual Melanie Sachs, do Partido Democrata, defendeu a proibição no Maine como uma forma de assegurar uma gestão responsável dos recursos naturais, afirmando que “este projeto não é contra a inovação, nem rejeita o desenvolvimento econômico”. Por sua vez, o deputado estadual Steven Foster, do Partido Republicano, argumentou que já existem regulamentações suficientes para data centers, questionando a necessidade de uma nova proibição. Ele afirmou que “muito medo foi alimentado sobre a construção de um data center de inteligência artificial em qualquer lugar do Maine, o que é contrário à realidade”.
Cenário nacional e internacional sobre data centers
A discussão sobre a proibição da construção de data centers não é exclusiva do Maine. Outros estados, como Virgínia e Geórgia, também estão analisando propostas semelhantes. Essas regiões são conhecidas por abrigar projetos de grandes empresas como Meta, Google e Microsoft. Propostas para suspender a construção de data centers têm surgido ainda em estados como Nova York, Maryland e Oklahoma, embora, até o momento, nenhuma dessas iniciativas tenha se tornado lei.
No âmbito municipal, algumas cidades no Michigan e em Indiana já implementaram leis que restringem a construção de novos data centers. A legislação que está sendo considerada no Maine, no entanto, representa uma abordagem mais abrangente até o momento.
Enquanto isso, no Brasil, os projetos de data centers de inteligência artificial têm chamado a atenção, com o potencial de consumo energético equivalente ao de mais de 16 milhões de residências. As construções estão previstas para ocorrer em estados como Rio de Janeiro, Eldorado do Sul (RS), Maringá (PR), Uberlândia (MG) e Caucaia (CE).
Entre os projetos em destaque, está o da ByteDance, empresa chinesa responsável pelo TikTok, que planeja um complexo de cinco data centers em Caucaia, com previsão de operação a partir de setembro de 2027 e uma capacidade inicial de 200 megawatts. O investimento estimado é de mais de R$ 580 bilhões, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
