Como Hackers Conseguiram Acessar o Sistema do CNJ
No último sábado (20), quatro detentos obtiveram liberdade no Ceresp Gameleira, em Belo Horizonte, após uma invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Uma quadrilha de hackers conseguiu manipular ordens de soltura, resultando na liberação dos presos.
Esses criminosos foram detidos em 10 de dezembro de 2022, em conjunto com outros cinco suspeitos, todos supostamente envolvidos em um esquema que acessava ilegalmente o sistema judiciário. A liberação dos detentos ocorreu graças à manipulação das ordens judiciais. Até o momento, apenas um dos quatro liberados foi recapturado, enquanto os demais permanecem foragidos.
Como a Invasão Aconteceu?
A investigação revelou que a organização criminosa utilizava credenciais legítimas de magistrados, ou seja, logins e senhas, para adentrar no sistema do CNJ. Não se sabe ainda como essas informações sigilosas foram adquiridas pelos criminosos. Com esse acesso, a quadrilha conseguia simular decisões judiciais e alterar informações sensíveis sobre processos.
O Que o Grupo Tentava Realizar?
As atividades do grupo eram diversas e incluíam:
- Liberação de presos através de alvarás de soltura falsificados, como aconteceu no último sábado;
- Alteração de mandados de prisão, dificultando o cumprimento de ordens judiciais;
- Desbloqueio de valores retidos, permitindo desvio de recursos;
- Liberação irregular de veículos apreendidos, alterando seu status nos registros.
Detalhes da Liberação dos Detentos
A liberação dos presos ocorreu após a inserção de ordens judiciais fraudulentas no Banco Nacional de Mandados de Prisão, parte do sistema do CNJ. Com isso, a Secretaria de Justiça de Minas Gerais recebeu as informações necessárias para a soltura dos detentos.
Atualização sobre os Detentos Liberados
Entre os quatro liberados, somente um foi novamente preso. Os outros três, identificados como foragidos, estão sendo procurados pelas autoridades.
Quem São os Foragidos?
A lista dos foragidos inclui:
- Ricardo Lopes de Araujo – preso desde 10 de dezembro de 2022, com duas passagens anteriores pelo sistema;
- Wanderson Henrique Lucena Salomão – também entrou no Ceresp Gameleira em 10 de dezembro de 2022 e possui três registros anteriores;
- Nikolas Henrique de Paiva Silva – única passagem pelo sistema ao entrar na mesma data;
- Júnio Cezar Souza Silva – com três entradas no sistema desde 2020, foi recapturado na noite de segunda-feira (22).
Reação do CNJ e do TJMG
O Conselho Nacional de Justiça declarou que não houve falhas em seus sistemas. Segundo o órgão, o uso fraudulento de credenciais foi a causa da manipulação, e as decisões falsas foram canceladas em menos de 24 horas. O CNJ não encontrou indícios de falhas sistêmicas ou envolvimento de funcionários.
Por sua vez, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que as ordens de soltura fraudulentas foram anuladas e que os mandados de prisão foram restabelecidos. As forças de segurança foram mobilizadas para ajudar na recaptura dos foragidos.
Ações do Governo de Minas Gerais
Em resposta ao ocorrido, o vice-governador Mateus Simões anunciou que o governo irá atrasar o cumprimento de futuras ordens de soltura, a fim de verificar a autenticidade das decisões judiciais, garantindo maior segurança ao sistema.
Investigação em Curso
A Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais, em conjunto com o Tribunal de Justiça, está investigando o caso a fundo, buscando esclarecer como a quadrilha conseguiu operar dentro do sistema judicial. Esse episódio levanta sérias questões sobre a segurança dos dados e a integridade do sistema judiciário em Minas Gerais.
