CNI critica insuficiência da redução da Selic
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou a recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que optou por uma redução de 0,25 ponto porcentual na taxa de juros Selic, como “correta, mas insuficiente”. A entidade enfatiza que essa medida não é capaz de interromper a queda da atividade econômica, nem de destravar investimentos ou reduzir o endividamento, que são sintomas de uma política monetária excessivamente restritiva. Essa análise foi expressa em uma nota divulgada na quarta-feira, 18.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que a inflação apresenta “franca desaceleração” e que as previsões do mercado em relação à alta dos preços permanecem dentro do intervalo aceitável. “Isso, por si só, já justificaria uma redução mais acentuada da taxa básica de juros. A cautela do Banco Central (BC) ainda é excessiva e continuará a penalizar nossa economia”, argumentou Alban.
Cortes mais expressivos na Selic são urgentes
O executivo da CNI pediu que o Banco Central amplie a magnitude dos cortes na Selic na próxima reunião do Copom, agendada para o final de abril. “Tal medida é vital para proporcionar melhores condições de investimento às empresas, mitigar o endividamento das famílias e reiniciar a trajetória de crescimento econômico. A flexibilização mais significativa dos juros não é apenas desejável: é uma condição essencial para recuperar a produtividade nacional e o bem-estar social”, completou Alban.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também fez sua avaliação e, por meio de nota, classificou a redução da Selic como “insuficiente para melhorar a competitividade da indústria”. De acordo com a entidade, o anúncio do Copom não atendeu às expectativas do setor produtivo, que aguardava um corte mais expressivo após quase dois anos sem ajustes na taxa de juros.
Expectativas do setor industrial e a política monetária
Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, comentou que existem sinais claros de desaceleração da atividade econômica ao longo do último ano, incluindo a diminuição das expectativas de inflação e a desaceleração das medidas de núcleo inflacionário. “Não podemos aceitar a continuidade de uma política monetária contracionista por um período prolongado”, afirmou Roscoe, reforçando a urgência de ações mais efetivas por parte do Banco Central.
Os apelos da CNI e da Fiemg refletem uma preocupação crescente entre os setores produtivos do Brasil, que têm enfrentado desafios significativos em um ambiente econômico incerto. A expectativa é que as próximas decisões do Copom levem em consideração a realidade do mercado e as necessidades dos empresários para estimular o crescimento econômico e a geração de empregos.
