Operação de Resgate Estruturada
Após três dias de intensa angústia, a pequena Alice Maciel Lacerda Lisboa, de apenas 4 anos, foi encontrada na tarde do último sábado (31), na zona rural de Jeceaba, localizada na região Central de Minas Gerais. A menina, que possui transtorno do espectro autista (TEA) e não é verbal, havia desaparecido na última quinta-feira (29) durante uma visita ao sítio da avó, na comunidade de Bituri.
Imediatamente após o desaparecimento, uma vasta operação de busca e salvamento foi organizada, envolvendo forças militares, civis e um número expressivo de voluntários. O comando da operação foi liderado pelo Corpo de Bombeiros, que implementou um sistema de operações para articular o trabalho conjunto de diferentes órgãos e equipes envolvidas na busca.
A importância do tempo durante a operação não pode ser subestimada. Com isso em mente, os responsáveis alocaram recursos especializados e diversas guarnições para realizar uma varredura abrangente na região. No final da operação, 12 guarnições militares foram mobilizadas, acompanhadas de três cães farejadores, sendo um deles especialmente treinado para identificar odores específicos.
Além disso, as equipes utilizaram tecnologia de ponta, incluindo geoprocessamento, videomonitoramento e drones equipados com câmeras térmicas. Essas ferramentas foram cruciais para identificar a criança, mesmo em áreas de difícil acesso, como matas densas. No entanto, o uso de drones enfrentou desafios devido às chuvas constantes, que complicaram ainda mais a busca.
Ampliação da Zona de Busca
A zona inicial de busca, que já era ampla, foi expandida para 78 hectares após uma avaliação técnica que analisou o relevo acidentado da região e as possíveis rotas de deslocamento da criança. A área abrangida incluía não só mata fechada, mas também regiões alagadiças e estradas vicinais que poderiam ter sido percorridas.
Além das forças militares provenientes de cidades como Belo Horizonte, Uberaba e Juiz de Fora, a operação contou com o esforço de mais de 100 voluntários e o suporte da Polícia Militar, Polícia Civil, Defesa Civil e Samu, demonstrando um forte envolvimento da comunidade no esforço de resgate.
O Encontro de Alice
A mudança na estratégia de busca, que incluiu a ampliação do perímetro, foi fundamental para o êxito da missão. Por volta das 14h de sábado, um motociclista voluntário avistou a menina às margens de uma estrada vicinal, a cerca de 2 quilômetros do local onde ela havia sido vista pela última vez. Alice estava com as mesmas roupas que usava no momento de seu desaparecimento.
Quando encontrada, Alice apresentava um quadro de saúde estável, considerando o tempo que esteve na mata. Seu pai, João Victor Lisboa, relatou que a menina estava com fome e desidratada, mas se mantinha em boas condições. Os primeiros atendimentos constataram que a criança estava consciente, com os sinais vitais preservados e apresentando apenas algumas marcas de capim pelo corpo. Não foram detectados sinais visíveis de hipotermia.
Após o resgate realizado pelas equipes do Corpo de Bombeiros, Alice foi levada ao Hospital Queluz, em Conselheiro Lafaiete, onde passaria por uma avaliação médica completa antes de retornar ao convívio familiar, trazendo alívio e felicidade a todos que participaram da busca.
