Uma Comemoração Musical
Em uma emocionante celebração de duas décadas de carreira, Roberta Sá apresentou o show “Tudo que cantei sou”, no qual percorreu diversas cidades ao longo do ano. O registro audiovisual desse espetáculo acaba de ser disponibilizado nas plataformas de música e no canal da artista no YouTube.
Gravado em setembro na Casa de Francisca, em São Paulo, o show foi realizado sem a presença de público, com Roberta acompanhada apenas pelos talentosos músicos Alaan Monteiro (bandolim) e Gabriel de Aquino (violão). O resultado é um espetáculo que traz um recorte de 14 canções, revisitando momentos marcantes de sua discografia, destacando faixas como “Eu sambo mesmo” (Janet de Almeida), “Cocada” (Roque Ferreira) e “Pavilhão de espelhos” (Lula Queiroga). A artista explica que a ideia de transformar a apresentação em um projeto audiovisual surgiu após o sucesso que o show obteve.
Um Espaço para a Intimidade
Roberta revela que a decisão de gravar na Casa de Francisca, sem plateia, foi motivada por uma busca por uma atmosfera intimista. “Esse show foi pensado sem cenário, e a Casa de Francisca é um lugar encantador que atendia a essa necessidade. Durante a pandemia, vi gravações feitas lá e achava tudo tão belo que decidimos que seria o local ideal”, compartilha a artista.
A cantora salienta que desejava capturar a qualidade de um álbum gravado em estúdio, sem as interferências de uma plateia. “Eu queria que as pessoas sentissem como se o show estivesse acontecendo na casa delas”, afirma. Para Roberta, essa abordagem ajuda a documentar fases importantes da sua carreira, assim como fez em projetos anteriores, como “Para se ter alegria – Ao vivo no Rio” (2009) e “Delírio no Circo – Ao vivo” (2016).
Encerrando um Ciclo e Abertura para Novos Desafios
O espetáculo “Tudo que cantei sou” não apenas comemora 20 anos de carreira, mas também marca o fechamento de um ciclo significativo na trajetória de Roberta. Em suas palavras, “Vou fazer 45 anos agora, e lancei meu primeiro álbum, ‘Braseiro’, em 2005, aos 25 anos. Hoje, olho para o meu passado com carinho e amor. Este ciclo foi de busca e questionamentos. Agora posso dizer que minha carreira é sólida e que o novo ciclo será de afirmação”.
Celebrando o Papel Feminino na Música
Outro destaque do novo registro é um bloco que homenageia a produção musical feminina, apresentando compositoras de várias gerações. Esse segmento inclui músicas como “Lavoura” (Pedro Amorim e Teresa Cristina) e “Virada” (Manu da Cuíca e Marina Irís). “Essas mulheres me inspiram, são muito musicais e têm histórias de vida que também são inspiradoras”, comenta Roberta.
A artista reflete sobre sua percepção do papel feminino na música ao longo dos anos, reconhecendo como a influência de compositoras como Dolores Duran e Dona Ivone Lara foi crucial em sua formação. “Quando comecei, minhas referências de composição eram todas masculinas. Hoje, percebo que as mulheres, que antes eram apenas referências de interpretação, têm todo o mérito por suas composições”, destaca.
Um Legado que Perdura
Roberta Sá menciona Rosa Passos como uma referência fundamental em sua carreira, e gravar a canção “Juras” é uma forma de homenagear a importância dessa icônica artista. “Essas mulheres representam o que considero duradouro na música, não são passageiras. Estar ao lado delas reafirma o espaço da mulher na música brasileira com profundidade”, enfatiza.
Embora o lançamento de “Tudo que cantei sou” simbolize um fechamento, a artista já tem planos para o futuro. Roberta retoma sua agenda de shows em janeiro, com apresentações em São Paulo, no Teatro Bradesco, e no Rio de Janeiro, no Teatro Riachuelo. “O ciclo é o mesmo de sempre: lançamos e saímos em turnê para promover”, conclui Roberta, que também pretende entrar em estúdio no próximo ano, caso sua agenda permita.
