O Cenário Político e a Segurança em Minas Gerais
À medida que os pré-candidatos ao governo de Minas ajustam seus discursos para se destacarem na pauta da segurança pública, partidos já se movimentam nos bastidores para desenvolver propostas que possam convencer os eleitores de que a luta contra a violência será uma prioridade. Com as eleições se aproximando, a preocupação com a segurança tem se intensificado, e as legendas estão mobilizando seus recursos para apresentar planos concretos.
O PDT, por exemplo, recorre a uma assessoria especializada em segurança pública para delinear seu plano de governo, tendo como pré-candidato o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. O presidente do partido em Minas, Mário Heringer, destaca que as propostas do PDT incluirão ações de curto, médio e longo prazos, enfatizando a importância de uma polícia atuante e investimentos em tecnologia para o combate ao crime. Heringer ressalta também a necessidade de ações preventivas para proteger cidadãos inocentes da violência.
Ele menciona que facções criminosas se tornaram organizações cada vez mais sofisticadas, atuando como “empresas do crime”, e que isso exige uma resposta efetiva do estado. “Não sou favorável a ideia de que bandido bom é bandido morto. Acredito que bandido bom é bandido preso”, afirma Heringer.
Propostas do PT e do PSD para a Segurança
A deputada estadual Leninha, na liderança do PT em Minas, apresenta as prioridades do partido para a segurança pública. O PT avalia a possibilidade de lançar uma candidatura própria ao governo, mas mantém em aberto a possibilidade de apoiar a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD). Leninha destaca a necessidade de valorizar os profissionais da Polícia Civil como parte fundamental de qualquer política séria de segurança.
“O PT está sempre atento à valorização dos profissionais de segurança, e isso deve estar presente em qualquer plano de governo”, afirma a deputada. O partido mantém grupos de estudo que dialogam com os agentes de segurança, contribuindo para a construção de propostas mais eficazes.
O vice-governador Mateus Simões, do PSD, também promete focar na continuidade das políticas de segurança da gestão atual, além de valorizar os servidores das forças policiais. Uma fonte ligada à sua pré-campanha informou que as propostas de Simões incluirão a ampliação do uso de inteligência e tecnologia no combate à criminalidade. “O compromisso de Simões é priorizar a proteção da população e investir em tecnologia”, ressalta o interlocutor.
Estratégias do MDB e o Cenário Atual da Segurança Pública
O MDB, representado pelo pré-candidato Gabriel Azevedo, também segue uma linha de propostas semelhante. O presidente estadual do partido, Newton Cardoso Jr., afirma que é vital valorizar os profissionais de segurança e implantar uma política de uso aprimorado de tecnologia para o combate ao crime.
Até o fechamento da edição, a reportagem buscou contato com o PL, que ainda não definiu se terá candidato próprio em Minas, mas sem retorno.
Preocupação do Eleitor com a Segurança
Com o agravamento dos índices de violência, os candidatos que se posicionarem na disputa pelo governo de Minas não podem ignorar a questão da segurança pública. O sociólogo Luís Flávio Sapori, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca que a pressão sobre a classe política tende a aumentar em 2026, com o eleitorado exigindo soluções efetivas para a redução da violência.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 indicam que a taxa de mortes violentas intencionais em Minas cresceu 5% em 2024, enquanto o Brasil como um todo viu uma redução de 5,4%. Minas é um dos poucos estados a registrar piora nesse indicador, o que torna ainda mais urgente o debate sobre segurança.
Uma pesquisa realizada pelo instituto Ipsos revelou que crime e violência são as maiores preocupações da população, citadas por 45% dos entrevistados, superando temas como corrupção (36%) e saúde pública (34%).
O advogado e especialista em segurança pública, Berlinque Cantelmo, alerta que o debate sobre segurança em campanhas eleitorais pode acabar sendo mais prejudicial do que benéfico para as políticas públicas. “O erro é tratar o tema como um dilema ideológico, quando, na verdade, é uma questão técnica que exige uma abordagem integrada”, afirma Cantelmo.
Ele conclui que os candidatos deveriam priorizar estratégias focadas em esclarecer homicídios, “asfixiar financeiramente” o crime organizado e reformar a gestão prisional, com foco em inteligência. Sapori complementa que a segurança pública exige planejamento e coordenação entre União, estados e municípios, além de um compromisso duradouro que transcenda o período eleitoral.
