Uma Revolução no Gênero Amoroso
Quando se fala em produções espanholas para a televisão, muitas vezes nos vem à mente a repetição de histórias e clichês. Contudo, “Os Anos Novos” se destaca como uma proposta inovadora e romântica que respira originalidade. Disponibilizada pela Mubi, a série escrita e dirigida por Rodrigo Sorogoyen é uma verdadeira ode ao amor e às relações humanas, trazendo à tona um estudo profundo sobre a dinâmica entre casais. Com a exibição do último episódio nesta quarta-feira (28/1), a obra já começa a ser aclamada como uma das mais relevantes da atualidade.
Sorogoyen, conhecido pelo seu impactante curta-metragem “Madre” e pelo aclamado thriller “As Bestas”, muda o tom de sua narrativa ao apresentar “Os Anos Novos”. Aqui, ele mergulha nas complexidades dos relacionamentos amorosos, acompanhando a trajetória de Ana (Iria Del Río) e Óscar (Francisco Carril) ao longo de uma década, refletindo não apenas sobre a vida do casal, mas sobre a existência em si. Em entrevista à revista Variety, o diretor afirmou: “Eu diria que a série começa falando sobre um casal e termina falando sobre a vida”.
Uma História que Atravessa o Tempo
A narrativa está estruturada em torno das passagens de ano, começando na virada de 2015 para 2016 e culminando na virada de 2024 para 2025. Cada episódio se torna um microcosmo do tempo, com o público acompanhando as mudanças na vida de Ana e Óscar, que, coincidentemente, nasceram no último dia do ano e no primeiro dia do novo ano. Essa peculiaridade os aproxima, simbolizando um laço especial, enquanto suas personalidades contrastantes – ela, espontânea e ele, mais racional – trazem desafios à relação.
No episódio inaugural, o cenário é a efervescente noite de réveillon em Madri. Ana, uma garçonete enérgica, se vê em uma situação desafiadora ao decidir se deve ir a uma festa, mesmo que isso signifique deixar suas amigas para trás. Simultaneamente, Óscar enfrenta sua própria crise emocional com Vero (Lucía Martín Abello), sua namorada de idas e vindas. É nesse ambiente que o destino os une, dando início a uma história que promete ser muito mais do que um simples romance.
Narrativa Envolvente e Surpreendente
À medida que a série avança, a estrutura narrativa se revela como um dos grandes trunfos de “Os Anos Novos”. Cada episódio não só conta uma nova história, como também desafia o espectador a acompanhar as transições temporais em que Ana e Óscar se encontram ora juntos, ora separados. Essa dinâmica permite um mergulho profundo nas emoções e conflitos dos personagens, tornando a experiência de assistir à série ainda mais rica.
O diretor Sorogoyen utiliza longos planos para criar uma atmosfera de contemplação, onde o tempo parece fluir de maneira mais lenta, permitindo que o público se aprofunde nas interações e vivências dos protagonistas. O espectador se torna um observador íntimo das nuances do relacionamento, quase um voyeur que se vê refletido em diversas situações.
Uma Mistura de Gêneros
Além de sua abordagem inovadora ao amor, “Os Anos Novos” também se destaca por sua versatilidade de gêneros. Um episódio pode trazer uma leve comédia romântica enquanto outro mergulha em questões familiares profundas. A capacidade de Sorogoyen de alternar entre perspectivas, filmando episódios sob o ponto de vista de cada personagem, resulta em momentos de naturalismo tocante, fazendo com que o público se sinta parte daquela realidade.
Em um mundo repleto de produções que repetem fórmulas, “Os Anos Novos” surge como um sopro de frescor, mostrando que narrativas sobre amor podem ser abordadas de maneiras inovadoras e cativantes. Se você ainda não conferiu, essa série é uma recomendação imperdível no cenário atual do streaming, onde os clichês são frequentemente a norma.
