Inovação no Tratamento de Grãos com Ozônio
A Embrapa, em colaboração com a empresa Nascente, lançou o SiloBio, um biorreator que promete revolucionar o armazenamento e tratamento de grãos. A tecnologia inovadora visa reduzir micotoxinas, fungos, pragas e resíduos químicos, garantindo uma produção de ração animal mais segura e sustentável. Inicialmente focado no milho, o SiloBio tem potencial para se estender a outras culturas, como sorgo e soja.
Em experimentos, o uso de ozônio demonstrou uma redução superior a 90% da presença de micotoxinas nos grãos, mantendo a qualidade nutricional intacta. Essa tecnologia, já utilizada globalmente, ganha força no Brasil com a adaptação para a indústria local.
Performance do SiloBio e Benefícios
A apresentação oficial do SiloBio será realizada em 11 de março de 2026, durante a comemoração dos 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo. O novo biorreator combina o armazenamento eficiente de um silo com as propriedades de um ambiente controlado de biorreator, ideal para o tratamento em larga escala.
O ozônio, um agente natural, é empregado para eliminar contaminantes, proporcionando uma ração livre de toxinas e com alta performance. O desenvolvimento do SiloBio começou com pesquisas que validaram um processo eficaz de aplicação de ozônio, focando especialmente na redução das fumonisinas, micotoxinas frequentemente encontradas em milho.
Resultados Promissores e Pesquisa Avançada
De acordo com o pesquisador Marco Aurélio Pimentel, o uso do ozônio foi testado entre 2012 e 2013. Os resultados foram alentadores, com uma redução de até 88% das fumonisinas e até 96% de fungos. Essa técnica não apenas preservou a qualidade dos grãos, mas também assegurou que os teores estavam dentro dos limites seguros estabelecidos pela Anvisa.
Com a regulamentação de limites máximos tolerados (LMT) para fumonisinas, a tecnologia se mostra essencial. O SiloBio é projetado para processar grandes volumes de grãos, adaptando-se às exigências do mercado e garantindo que os produtos atendam aos padrões exigidos, principalmente na cadeia de proteína animal.
Expansão e Perspectivas Futuras
Embora o uso do ozônio seja uma prática já estabelecida, a inovação do SiloBio reside na sua aplicação em escala industrial. Tuschi, representante da Nascente, destaca que o foco inicial está no milho, um grão vital na nutrição animal. No entanto, a versatilidade do equipamento permite o tratamento de diferentes tipos de grãos, ampliando seu uso a outras culturas no futuro.
Além da desintoxicação, o ozônio pode atuar no controle de pragas e na degradação de outras substâncias químicas indesejadas. Isso se alinha às exigências atuais por uma agricultura mais sustentável e consciente, em consonância com os princípios ESG.
Valor Econômico e Sustentabilidade
Com um retorno sobre investimento (ROI) estimado em menos de dois anos, o SiloBio não só melhora a qualidade da ração, mas também oferece vantagens financeiras ao reduzir o uso de químicos complementares. Essa eficiência pode potencializar a adoção da tecnologia pelo mercado, conforme enfatiza Frederico Botelho, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo.
A celebração dos 50 anos da Embrapa não poderia ser mais significativa, uma vez que a apresentação do SiloBio representa o compromisso da instituição com inovações que atendem às demandas do setor agropecuário, promovendo segurança alimentar e sustentabilidade. O projeto destaca a importância de tecnologias que não apenas garantem a sanidade dos produtos, mas que também respeitam o meio ambiente, assegurando uma produção mais responsável e eficiente.
