A História Por Trás do Vilão Vecna
Recentemente, uma curiosa narrativa começou a ganhar força nas mídias sociais, sugerindo que a trajetória do personagem Vecna, interpretado por Jamie Campbell Bower na quinta e última temporada de “Stranger Things”, pode ter raízes em um evento verídico que teria ocorrido em 1962. De acordo com essa lenda, o vilão assume a identidade de Sr. Fulano, um amigo imaginário que seduz crianças para um mundo paralelo, semelhante ao que se relata na intrigante publicação da página Netflix Updates no Facebook, que rapidamente se tornou viral.
A narrativa conta que 37 crianças, todas sem conexão entre si, desenharam o mesmo amigo imaginário: um homem alto, sem rosto e usando uma cartola. Essa figura é descrita como parte de um fenômeno conhecido como “imagens compartilhadas”, onde crianças expostas a contextos ou tensões semelhantes criam, sem perceber, a mesma figura perturbadora. A história do Sr. Fulano começou a ser amplamente associada a esse fenômeno.
O Enigma do Sr. Fulano e o Impacto nas Crianças
O suposto incidente teria ocorrido em uma escola no Wyoming, envolvendo alunos de diversas séries. Os relatos indicam que a figura não possuía boca, mas tinha olhos penetrantes e exalava um “cheiro de eletricidade estática”. Em uma de suas mãos, um cordão feito de cabelo seria a única característica adicional. Apelidado de “Eco Amarelo”, esse ser, segundo os relatos das crianças, aparecia somente em dias chuvosos, sussurrava através das televisões e trazia à tona informações que as crianças não deveriam saber, como o local onde um professor guardava uma arma, que, curiosamente, desapareceu duas semanas depois, sumindo sem deixar rastros, assim como todos os desenhos feitos pelos alunos.
O que sobrou dessa história foi um gravador ligado que captou a voz de uma criança dizendo, em tom de desespero: “Nós não o desenhamos. Nós nos lembramos dele”. Apesar do impacto dessa narrativa, vale ressaltar que não há evidências históricas que comprovem a veracidade do incidente de 1962. Não existem registros oficiais, reportagens da época ou documentos escolares que sustentem essa lenda. Além disso, não há confirmação de que os irmãos Duffer tenham se baseado nessa história para desenvolver o arco do Sr. Fulano na série.
A Influência da Cultura Digital e as Creepypastas
De acordo com especialistas em cultura digital, essa lenda se encaixa perfeitamente no modelo clássico de creepypastas, narrativas fictícias criadas para circular na internet. Essas histórias são frequentemente apresentadas como “fatos reais”, o que aumenta seu apelo e mistério, atraindo a atenção do público. Assim, a adaptação de tais histórias em produções como “Stranger Things” não é apenas uma estratégia criativa, mas também uma maneira de conectar os espectadores com o universo mais amplo das narrativas de terror e mistério online.
A Referência Literária do Sr. Fulano na Série
No entanto, dentro do próprio universo de “Stranger Things”, a inspiração para o personagem Sr. Fulano parece estar mais alinhada com elementos literários. O nome faz uma clara alusão à personagem Mrs Whatsit (ou Sra. Quequeé/Queisso nas traduções), do aclamado romance “Uma Dobra no Tempo”, escrito por Madeleine L’Engle. Na quinta temporada, há uma cena onde Holly Wheeler, interpretada por Nell Fisher, é vista lendo esse livro, um detalhe que, embora sutil, se torna fundamental para a compreensão do enredo.
Posteriormente, em um momento decisivo, quando Karen (Cara Buono) e Ted Wheeler (Joe Chrest) estão no hospital, Mike (Finn Wolfhard) encontra o mesmo livro e começa a fazer conexões, percebendo que o “amigo imaginário” de Holly pode ser algo muito mais sério e perigoso do que uma simples criação da mente infantil. Essa escolha dos Duffer reforça a tradição de “Stranger Things” de homenagear a ficção científica e as fantasias clássicas, utilizando referências culturais como pistas narrativas que enriquecem a experiência do espectador.
