Desafios do SUS e a Experiência de Pacientes
Recentemente, uma amiga minha precisou realizar uma aplicação de ferro na veia, um procedimento que só pode ser feito em hospitais ou unidades de pronto atendimento (UPAs). Em uma de suas visitas, ela conseguiu atendimento em um Posto de Saúde, mas na segunda vez, não foi autorizada a fazer o procedimento, que exige a presença de um acompanhante. Curiosamente, embora ela possua um plano de saúde, a razão pela qual não opta por um hospital credenciado permanece um mistério para mim. Nas duas ocasiões em que a acompanhei, a primeira no Posto de Saúde e a segunda em uma UPA, pude observar de perto as condições do atendimento. Ao aguardar por cerca de 40 a 50 minutos após ser chamada, a sala de espera estava repleta de pessoas, muitas delas lidando com dores visíveis enquanto aguardavam atendimento.
É interessante notar que o Sistema Único de Saúde (SUS), frequentemente criticado por suas falhas, foi estabelecido sob a liderança do ex-presidente Fernando Collor, embora sua concepção remonta à redemocratização do Brasil, quando a saúde foi consignada como um direito de todos e um dever do Estado na Constituição Federal de 1988, durante o governo de José Sarney. O SUS foi regulamentado por leis importantes nos anos seguintes, como a Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/1990), que promoveu a descentralização e o controle social do sistema. Assim, tanto Sarney quanto Collor são figuras-chave nesse processo inicial.
A Importância do SUS nas Cirurgias e Atendimento Geral
Nos últimos dez anos, o SUS realizou mais de 110 mil cirurgias de ostomia, uma prova do seu impacto na saúde da população. No entanto, o Brasil não é o único país que oferece saúde pública gratuita. Na verdade, países como Reino Unido, Canadá e Austrália têm seus sistemas de saúde, que, apesar de algumas taxas para medicamentos e exames, oferecem acesso amplo à saúde, possivelmente com um atendimento mais ágil, devido a contextos socioeconômicos mais desenvolvidos.
Durante a espera, observei pessoas se movendo de um lado para outro, não apenas por ansiedade, mas por necessidade de aliviar a dor. Algumas estavam sentadas, aguardando pacientemente. Ao conversar com outros pacientes, muitos relataram que estavam ali há quatro horas. Essa realidade revela um problema preocupante: a falta de médicos para atender a demanda crescente. A raiva e a indignação surgem ao perceber que há uma constante desvinculação de verbas destinadas à saúde, que poderiam ser empregadas na contratação de mais profissionais e na melhoria das condições de atendimento.
Casos de Atendimento no SUS: Uma Reflexão Necessária
Após o atendimento, minha amiga compartilhou histórias de outros pacientes que presenciou no local. Uma senhora de quase 90 anos, por exemplo, foi submetida a várias tentativas de punção venosa, sem sucesso, apenas para que a equipe pudesse acessar uma veia. Era angustiante vê-la quieta, mesmo com a dor evidente. Ao questionar uma das técnicas sobre o procedimento a ser seguido caso não conseguissem, a resposta foi que chamariam a enfermeira. Mas por que não fizeram isso na segunda tentativa?
Outro caso que chamou atenção foi o de um homem que, em sofrimento por não conseguir urinar, aguardava a chegada de uma enfermeira para a colocação de uma sonda. Situações como essas são alarmantes e nos fazem refletir: sem o SUS, qual seria a alternativa para esses pacientes?
Histórias de Superação Através do SUS
Um parente meu, que não possui plano de saúde, teve sua vida salva duas vezes pelo SUS. A primeira vez foi durante uma grave infecção, conhecida como erisipela bolhosa, que quase o levou a amputar a perna. O tratamento foi realizado com sucesso, mesmo durante a pandemia, com uma equipe de saúde visitando-o regularmente para curativos. No ano passado, enfrentei um desafiador problema cardíaco. Como ele é idoso, a cirurgia de coração aberto representava um risco elevado, mas por meio do SUS, conseguiu realizar a troca de válvula e colocar stents, recuperando-se integralmente.
Embora o SUS enfrente sérios problemas, é inegável que, na prática, ele salva vidas. Se contasse com um investimento mais robusto, com certeza, poderia oferecer um serviço ainda mais eficiente e humanizado.
