Governador de São Paulo Reage ao Desfile em Homenagem a Lula
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, expressou sua indignação em um vídeo divulgado em suas redes sociais na noite de segunda-feira (16). O político, que se prepara para uma disputa pela reeleição, fez críticas contundentes ao evento, acusando-o de ser uma “propaganda política descarada”. Em sua fala, ele levantou dúvidas sobre o uso “seletivo do poder público” durante o desfile, que ocorreu no último domingo (15), na Sapucaí.
O governador não hesitou em comparar as decisões judiciais que envolveram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a campanha de 2022, afirmando que seu aliado foi alvo de um rigor excessivo. Tarcísio trouxe à tona o caso da reunião de Bolsonaro com embaixadores, onde o ex-presidente foi acusado de abuso de poder político e desinformação, resultando em sua inelegibilidade, conforme determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Se o desfile de ontem não foi campanha antecipada, o que será então? Por que não haverá o mesmo rigor agora?”, questionou o governador. Ele também se mostrou cético sobre como as interpretações das leis eleitorais serão aplicadas a partir daquele momento, insinuando que poderiam ser elásticas.
Controvérsias do Desfile e Reações
O desfile em questão contou com o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que não apenas celebrou a trajetória política do atual presidente, mas também fez críticas a ex-presidentes como Michel Temer e Jair Bolsonaro. Lula esteve presente no camarote durante o evento, ao lado da primeira-dama Rosângela Janja da Silva, que havia considerado participar do desfile, mas acabou desistindo.
No vídeo, Tarcísio destacou que o samba-enredo reproduziu trechos de jingles utilizados em campanhas eleitorais passadas de Lula, além de menções a bandeiras de governo, como o Bolsa Família e a diminuição da escala 6×1. “A sátira e a crítica deram lugar à propaganda política descarada”, afirmou, ao mencionar como o desfile desrespeitou valores conservadores e dividiu a opinião pública.
Ele ainda criticou a representação de famílias conservadoras retratadas como alimentos em latas de conserva e ironizou a falta de alas que abordassem fraudes no INSS e a Operação Lava-Jato, temas que continuam a gerar polêmica no cenário político brasileiro.
Ação Judicial e Repercussão Política
Até o momento, o governador não revelou se tomará medidas legais contra o espetáculo. Contudo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os partidos Novo e PL já se mostraram dispostos a processar a agremiação responsável pelo desfile, bem como a figura do presidente Lula.
Antes mesmo da realização do desfile, parlamentares da oposição tentaram proibir o evento, alegando que ele configurava propaganda eleitoral antecipada. O TSE, entretanto, rejeitou esses pedidos, defendendo que a censura prévia não é cabível, mas deixou em aberto a possibilidade de investigação sobre possíveis irregularidades após o acontecimento.
A Acadêmicos de Niterói, organizadora do desfile, divulgou uma nota na segunda-feira, afirmando estar sofrendo perseguição política e defendendo que o evento respeitou a identidade da agremiação. Em resposta às críticas, o departamento jurídico do PT sustentou a legalidade do desfile, caracterizando-o como uma manifestação de expressão artística assegurada pela Constituição. Além disso, o partido esclareceu que a elaboração do desfile foi inteiramente responsabilidade da agremiação, sem qualquer envolvimento ou financiamento direto do PT ou de Lula.
