Estudo revela benefícios da nova alíquota global
Um recente relatório indica que o Brasil será o país mais favorecido com a nova alíquota global de tarifas anunciada por Donald Trump, registrando uma significativa redução média de 13,6 pontos percentuais. Na sequência, estão a China, que verá uma diminuição de 7,1 pontos, e a Índia, com uma queda de 5,6 pontos. As informações foram inicialmente divulgadas pelo jornal britânico Financial Times, ao qual o g1 teve acesso completo.
A nova tarifa global, que Trump anunciou, foi rapidamente ampliada em menos de 24 horas. Após a divulgação inicial de uma alíquota de 10% — em resposta a uma decisão da Suprema Corte dos EUA que invalidou o tarifaço anterior —, o presidente elevou o percentual para 15% no último sábado. Essas novas taxas começarão a valer a partir das 00h01 (horário de Washington) na próxima terça-feira, dia 24, e afetarão todos os países com os quais os EUA mantêm relações comerciais.
Entretanto, algumas exceções foram estabelecidas para produtos específicos, incluindo minerais críticos, itens agrícolas e componentes eletrônicos. Após a Suprema Corte ter invalidado o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para justificar o tarifaço, Trump passou a se apoiar na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite a imposição de tarifas de até 15%. Neste novo cenário, aliados próximos dos Estados Unidos, como Reino Unido (+2,1 pontos), União Europeia (+0,8 ponto) e Japão (+0,4 ponto), enfrentarão tarifas mais altas, conforme apontado pela Global Trade Alert.
Em uma entrevista ao Financial Times, o economista Johannes Fritz, responsável pela análise do impacto das tarifas, afirmou que as mudanças favoreceram especialmente os países que mais sofreram críticas da Casa Branca e que estavam sob tarifas impostas com base na IEEPA, como Brasil, China, México e Canadá. “Este regime pode ter uma duração limitada de apenas 150 dias. A administração indicou que se concentrará agora nas leis que permitem a imposição de tarifas. Assim, na prática, o cenário recomeça do zero”, ressaltou, adicionando que a situação é incerta.
Reação do governo brasileiro
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também lidera o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, celebrou a decisão da Suprema Corte na última sexta-feira. Para ele, a derrubada do tarifaço coloca o Brasil em condições de competitividade semelhantes às de seus concorrentes globais.
Após Trump anunciar o aumento da taxa global de 10% para 15%, Alckmin declarou que essa mudança não compromete a competitividade das empresas brasileiras, já que a alíquota é aplicada de maneira uniforme a todos os países. “Mesmo com a taxação de 15%, que é a mesma para todos, não perdemos competitividade. Em alguns setores, ela foi zerada. Isso se aplica a combustíveis, carne, café, celulose, suco de laranja e aeronaves”, afirmou o vice-presidente.
Adicionalmente, Alckmin destacou que há uma oportunidade de negociação com a visita do presidente Lula aos EUA programada para março, visando abordar questões não tarifárias. O ministro também esclareceu que, antes da decisão da Suprema Corte, 22% das exportações brasileiras estavam sujeitas a uma sobretaxa de 40%. De acordo com uma análise da Confederação Nacional da Indústria (CNI), utilizando dados de 2024 da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC), a decisão do tribunal norte-americano afeta aproximadamente US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras para o país.
Cronologia do tarifaço de Trump
Historicamente, os produtos brasileiros enfrentaram impostos que somaram até 50% ao ingressar nos EUA, salvo algumas exceções. Em abril de 2025, Trump implementou tarifas recíprocas, estabelecendo uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros. Em junho, ele aumentou as tarifas sobre aço e alumínio para 50%, fundamentando-se na Seção 232 — um mecanismo distinto do IEEPA. Em julho, a alíquota total de diversos itens foi elevada para 50%, acompanhada de uma extensa lista de exceções. Já em novembro, após o início das negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os EUA eliminaram a tarifa de 40% sobre novos itens, incluindo café, carnes e frutas.
Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas, resultando na eliminação da taxa “recíproca” de 10% e da sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Contudo, as tarifas sobre aço e alumínio não foram afetadas, uma vez que se baseiam na Seção 232. No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, amparada por um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes. Um dia depois, Trump elevou a taxa para 15%, justificando que tal medida visa corrigir “décadas de práticas comerciais injustas” que prejudicaram a economia americana.
