Desemprego em Minas apresenta estabilidade
A taxa de desocupação em Minas Gerais alcançou 3,8% no quarto trimestre de 2025, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o menor percentual desde o início da série histórica, que começou em 2012. Em contrapartida, a média nacional registrada foi de 5,1%, enquanto a capital, Belo Horizonte, apresentou uma taxa de 4,8%.
Esse resultado em Minas demonstra estabilidade em comparação ao trimestre anterior, onde o índice estava em 4,1%, e também ao mesmo período do ano passado, que registrou 4,3%. Segundo Humberto Sette, coordenador da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios em Minas Gerais (Pnad/MG), não é possível determinar com precisão as razões pelas quais o estado está apresentando essas taxas inferiores à média nacional. No entanto, ele destaca que Minas possui uma dinâmica de mercado de trabalho mais robusta. “Além disso, o Brasil como um todo é impactado pelas regiões Norte e Nordeste, que enfrentam uma realidade econômica menos dinâmica”, explica Sette.
Geração de empregos e capacitação
O professor Luiz Gama, do curso de Economia do Ibmec BH, atribui o desempenho positivo de Minas à criação de vagas formais e ao papel fundamental dos micro e pequenos negócios na geração de emprego. “O governo estadual também investiu em programas de capacitação técnica que melhoraram a qualificação da mão de obra, impulsionando as contratações”, acrescenta.
Em termos de dados, a pesquisa do IBGE aponta que 431 mil pessoas estavam desocupadas no estado no último trimestre. A população ocupada totalizou 10,84 milhões, resultando em uma taxa de ocupação de 61,1%. Essa taxa representa uma leve queda de 0,6 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre de 2025, que foi de 61,7%. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, o índice de ocupação permaneceu estável, com uma taxa de 61,9%.
Rendimento médio dos mineiros
Outro dado relevante é o rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas em Minas Gerais, que foi de R$ 3.353. Este número é 4,1% maior que o do trimestre anterior, quando o valor era de R$ 3.221, e também representa um aumento de 8,6% em relação ao quarto trimestre de 2024, que tinha um rendimento médio de R$ 3.088. Humberto Sette ressalta que esse aumento nos rendimentos é significativo e já está ajustado para a inflação. “Observamos um aumento consistente no rendimento médio ao longo do tempo, com exceção dos anos de 2021 e 2022, que foram afetados pela pandemia”, analisa.
Em Belo Horizonte, o rendimento médio mensal habitual foi de R$ 5.184, mantido estável em comparação ao terceiro trimestre de 2025 (R$ 4.946) e ao quarto trimestre de 2024 (R$ 4.534). A nível nacional, o rendimento médio real habitual foi estimado em R$ 3.613, apresentando um aumento de 2,4% em relação ao trimestre anterior e de 5% comparado ao mesmo período do ano anterior.
Desalento e desigualdades de gênero e raça
No último trimestre de 2025, Minas Gerais também tinha um contingente de 179 mil pessoas desalentadas, ou seja, que desejam trabalhar, mas já desistiram de buscar emprego. O percentual de desalentados ficou em 1,6%, em estabilidade em relação ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2024.
Além disso, as desigualdades no mercado de trabalho são evidentes. A taxa de desocupação para homens foi de 3,2%, enquanto para mulheres chegou a 4,6%. Em relação à raça, a taxa de desocupação foi de 2,9% para brancos, 4,7% para pretos e 4,4% para pardos. Luiz Gama observa que essa é uma realidade que se repete em todo o Brasil, resultante da discriminação e da falta de acesso à educação de qualidade, especialmente para negros e mulheres, que frequentemente saem do mercado de trabalho devido à maternidade.
Informalidade e perspectivas para 2026
Cerca de 36,5% da população ocupada em Minas Gerais está na informalidade. Para o ano de 2025, a taxa de desocupação fechou em 4,6%, o menor nível da série desde 2012, enquanto a taxa de ocupação foi de 62,3%, o que também é um recorde. A informalidade, por sua vez, atingiu 36,8%, o que representa uma leve melhora em relação aos anos anteriores.
O economista-chefe da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), João Pio, alerta para a possível moderação no crescimento dos empregos em 2026, devido à retração do setor industrial. No quarto trimestre de 2025, o setor teve uma queda de 1,2% no número de ocupados, e em Minas essa redução foi de 2,4%. Ele acredita que, embora os resultados do mercado de trabalho sejam positivos, as condições do ambiente econômico tendem a exigir cautela nos próximos anos.
