Minimização das Preocupações com a Nova Taxação
Em entrevista concedida à TV Globo, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou que a recente decisão da China de implementar uma taxação sobre a carne bovina não é uma preocupação significativa. Segundo ele, essa medida faz parte de um contexto mais amplo, onde o Brasil tem trabalhado arduamente na ampliação de seus mercados internacionais para o produto. “Neste governo do presidente Lula, abrimos 20 mercados para carne bovina ao redor do mundo, além de ampliações em mercados já existentes. Portanto, o Brasil está relativamente preparado para lidar com intempéries comerciais”, destacou Fávaro.
Durante o primeiro semestre deste ano, o presidente Lula fez uma importante viagem à Ásia, que resultou na reabertura do mercado do Vietnã para a carne bovina brasileira, após um hiato de quase uma década. Essa movimentação estratégica reforça o esforço do governo em diversificar as rotas de exportação e minimizar impactos negativos, como o que poderia surgir com a taxação chinesa.
Impactos da Medida Chinesa no Mercado
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) emitiram uma nota destacando que a nova medida da China altera as condições de acesso ao seu mercado, o que exigirá uma reorganização nos fluxos de produção e exportação. Fávaro observou que o governo chinês já havia se preparado para implementar uma “salvaguarda” para a carne bovina há pelo menos um ano, com o intuito de proteger a produção local, estabelecendo tarifas para diversos países.
“Não há discriminação em relação a nenhum país, especialmente ao Brasil. Essa decisão visa, sim, proteger a produção local”, afirmou o ministro. Atualmente, o Brasil está exportando uma quantidade que se aproxima da cota estabelecida pela China, que é de 1.106.000 toneladas de carne bovina.
Negociações Futuras com a China
Fávaro ressaltou que, apesar da nova taxação não causar grande alvoroço no governo, ele planeja negociar os termos da medida com as autoridades chinesas nos próximos dias. O ministro também mencionou a possibilidade de transferir cotas de outros países para o Brasil, citando que os Estados Unidos, por exemplo, não exportaram carne bovina para a China no ano passado. “Veremos se conseguimos cumprir a cota de outro país. Essas negociações têm um caráter gradual, podendo se estender ao longo do ano”, explicou.
Previsões para o Futuro
Sob a ótica do ministro, a relação do Brasil com a China “nunca esteve tão boa e assim continuará”. Essa perspectiva otimista se reflete nas estratégias do ministério para lidar com as novas regras de importação, que devem valer por três anos. A cota total de importação para 2026, referente aos países afetados pelas novas medidas, será de 2,7 milhões de toneladas, um número próximo ao recorde de 2,87 milhões de toneladas importadas em 2024, com um aumento programado ano após ano.
A tarifa adicional de 55% sobre as exportações que excederem as cotas entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026. A decisão de taxar as importações de carne bovina pela China surgiu após duas prorrogações de investigação sobre as importações do produto, que, segundo as autoridades, não visaram nenhum país específico.
Conforme Zengyong Zhu, pesquisador do Instituto de Ciência Animal da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, essas tarifas têm como objetivo conter a redução do rebanho bovino no país e proporcionar tempo para que as empresas nacionais do setor realizem ajustes e promovam melhorias. Recentemente, Pequim também intensificou o apoio político à cadeia produtiva da carne bovina, mencionando que, até o fim de novembro, a atividade pecuária vinha reportando lucros por sete meses consecutivos. Essa situação reforça a importância do Brasil em um cenário global, onde as relações comerciais continuam a se ajustar às novas realidades do mercado.
