Avaliação de Nova Tecnologia em Linhas de Transmissão
Nos próximos meses, técnicos vão monitorar o comportamento de cabos em uma linha de transmissão de energia em Rosana, São Paulo. O objetivo é comparar dados antes e depois da implementação de uma tecnologia inovadora, que promete aumentar a capacidade de escoamento de energia sem a necessidade de novas infraestruturas.
De acordo com Dayron Urrego, diretor-executivo de Projetos da ISA Energia Brasil, o monitoramento contínuo das variáveis envolvidas é fundamental. “Estamos atentos à temperatura dos cabos, que influencia diretamente a quantidade de energia que podemos transmitir. Este é o momento ideal para medir e comparar os resultados”, explicou ao g1.
Desafios do Sistema Elétrico Brasileiro
O teste realizado em Rosana busca encontrar soluções para um problema recorrente no sistema elétrico do Brasil: a crescente demanda por energia em regiões onde expandir a infraestrutura é caro e demorado. O aumento do consumo, aliado à presença de novas indústrias e à urbanização, tem feito com que muitas linhas de transmissão operem próximas ao seu limite técnico.
Urrego enfatiza que, embora a solução mais lógica fosse construir novas linhas, isso nem sempre é viável. “Precisamos encontrar alternativas que permitam aumentar a capacidade de escoamento de energia por meio das linhas existentes”, destacou.
Como Funciona a Tecnologia Testada
A tecnologia em questão atua diretamente sobre o aquecimento dos cabos, um dos principais fatores que limitam a transmissão de energia. À medida que a carga elétrica aumenta, a temperatura dos cabos também sobe, criando restrições tanto de segurança quanto operacionais.
O processo consiste na aplicação de um revestimento cerâmico sobre os cabos já instalados, sem necessidade de substituir ou reforçar a estrutura. “Estamos apenas adicionando uma camada cerâmica ao cabo existente, o que não altera seu peso ou requer mudanças nas torres de transmissão”, afirmou Daniel Azevedo, diretor de Negócios Power Grid da Prysmian Brasil.
Detalhes sobre a Aplicação do Revestimento
A camada cerâmica, de coloração esbranquiçada, facilita a troca de calor com o ambiente, reduzindo a temperatura de operação dos cabos. “Quando a energia passa pelo cabo, a temperatura pode atingir até 90°C, que é o limite permitido. Esta solução permite transmitir mais energia sem que a temperatura ultrapasse esse limite”, destacou Azevedo.
Uma das inovações do teste em Rosana é a aplicação do revestimento por meio de robôs, que trabalham a cerca de 20 metros de altura. O processo envolveu dois robôs controlados remotamente: um responsável pela limpeza dos cabos e outro pela aplicação do revestimento cerâmico. A limpeza removeu poeira e resíduos, preparando a superfície para a aplicação.
Resultados e Próximos Passos
O monitoramento dos dados coletados ocorrerá ao longo do primeiro semestre. A equipe responsável pelo projeto ressalta que essa tecnologia não é aplicável a todas as linhas de transmissão, demandando estudos técnicos específicos para cada situação.
Um dos próximos passos em consideração é a aplicação da tecnologia em linhas energizadas, evitando a necessidade de desligamento durante a manutenção — uma questão crucial em áreas sem rotas alternativas de fornecimento. “Esse avanço seria complexo, mas ofereceria enormes benefícios, pois muitas vezes o desligamento de uma linha pode afetar cidades inteiras”, concluiu Urrego.
Embora ainda esteja em fase de teste, a experiência em Rosana se destaca como a primeira do Brasil e a segunda no mundo com o uso de robôs para este tipo de aplicação em linhas de transmissão. Os resultados poderão servir como base para futuras decisões sobre a ampliação da capacidade do sistema elétrico sem a necessidade de expansão da infraestrutura existente.
