Silêncio do Governador em Dia de Luto
No último domingo (25), a data que marcou os sete anos do trágico rompimento da barragem da Vale em Brumadinho passou despercebida pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Em sua ausência do estado, o gestor não fez qualquer declaração pública sobre o evento que resultou em tantas perdas e consequências devastadoras.
Até o fechamento desta matéria, na segunda-feira (26), o governador não havia se manifestado oficialmente nas redes sociais, reforçando a impressão de desinteresse sobre uma tragédia que ainda ecoa na memória dos mineiros. Embora Zema esteja cumprindo compromissos fora do estado, muitos esperavam uma palavra de apoio em um momento tão significativo.
A assessoria de Zema divulgou uma nota de solidariedade na tarde do domingo, dirigindo-se aos familiares das vítimas e às pessoas que ainda enfrentam as consequências do desastre. É importante lembrar que, na ocasião do rompimento, em 25 de janeiro de 2019, o governador havia recém-assumido o cargo, sendo confrontado imediatamente com uma das maiores tragédias ambientais e humanas do Brasil.
Os números são alarmantes: cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram despejados, impactando negativamente a fauna, a flora e o rio Paraopeba, com efeitos que se estenderam por centenas de quilômetros, afetando mais de 20 municípios ao redor.
Novos Incidentes em Minas Gerais
Enquanto o estado rememorava as vítimas e a devastação causada pela tragédia de Brumadinho, Minas Gerais enfrentou um novo episódio preocupante. Em menos de 24 horas, ocorreram dois extravasamentos de água. O primeiro, no reservatório da Vale localizado no distrito de Pires, na divisa entre Ouro Preto e Congonhas, aconteceu durante a madrugada de domingo. Logo depois, um segundo incidente foi registrado na mina Viga, também pertencente à mineradora.
A Agência Nacional de Mineração (ANM) rapidamente descartou a possibilidade de rompimentos ou colapsos nas barragens do estado. No entanto, por determinação do Ministério de Minas e Energia, uma investigação será conduzida para apurar as circunstâncias e responsabilidades referentes aos extravasamentos que ocorreram, levantando preocupações sobre a segurança das operações da Vale.
Em resposta aos incidentes, a Vale emitiu um comunicado afirmando que as situações foram contidas e, felizmente, não houve vítimas ou danos às comunidades nas proximidades. A empresa ainda ressaltou que “nenhuma das duas situações tem qualquer relação com as barragens da Vale na região, que permanecem monitoradas quanto à sua estabilidade e segurança, com acompanhamento 24 horas por dia, sete dias por semana”.
Críticos, no entanto, questionam a eficácia do sistema de segurança da mineradora e se os protocolos estão suficientemente robustos para evitar novas tragédias. O silêncio do governador em um dia tão simbólico para os mineiros e a série de incidentes recentes evidenciam a necessidade de um debate mais profundo sobre a segurança das barragens e a responsabilidade social das empresas de mineração.
O luto pelas vítimas de Brumadinho e a preocupação com o estado atual das operações mineradoras continuam a ser temas prementes em Minas Gerais. O que se espera é que, além de palavras de solidariedade, ações concretas sejam tomadas para garantir a segurança e a dignidade dos cidadãos mineiros diante de situações tão delicadas.
