O cenário atual do turismo de negócios no Rio Grande do Sul
O turismo de negócios no Rio Grande do Sul, um dos segmentos mais afetados pelas enchentes de 2024, começa a mostrar sinais encorajadores de recuperação. Com o Aeroporto Internacional Salgado Filho operando a todo vapor e a volta do fluxo de passageiros, o setor alcançou 60% dos níveis de atividade anteriores à calamidade, conforme dados da Secretaria de Turismo do Estado (Setur).
Nos próximos meses, os profissionais do setor estão otimistas quanto à consolidação dessa recuperação e até vislumbram a possibilidade de ultrapassar os índices que o turismo de negócios registrava antes da pior enchente da história do Estado.
Dados significativos sobre a recuperação do turismo de negócios
Em 2025, o Rio Grande do Sul registrou 27.018 chegadas de turismo de negócios, segundo levantamento da Setur. Embora esse número ainda esteja abaixo do que foi observado em 2023, quando 45.535 chegadas foram contabilizadas, representa 60% do movimento do ano anterior. Os dados são oriundos da plataforma ForwardKeys, que monitora o fluxo aéreo e sugere que o número real de negócios pode ser ainda maior.
A diretora de Planejamento e Competitividade da Setur, Claudia Mara Borges, ressaltou que a lentidão na recuperação do setor pode estar relacionada ao planejamento de eventos corporativos, que frequentemente leva anos para ser concretizado. A logística afetada pela enchente complicou a organização dos eventos.
Perspectivas para o futuro do turismo de negócios
Claudia destacou que a tendência é que, em 2026 e 2027, o setor retorne aos patamares anteriores, com crescimento adicional. Os estudos da Embratur apontam que o Rio Grande do Sul será um dos destinos que mais crescerá nesses anos. Esse otimismo, segundo Claudia, é resultado do esforço conjunto entre Estado, municípios e entidades para atrair turistas, por meio de campanhas e comitivas.
Eventos que foram agendados para Gramado, por exemplo, também incluirão visitas técnicas em cidades como Canela, São Chico, Nova Petrópolis e Porto Alegre, reforçando a colaboração entre as localidades.
A importância da infraestrutura na recuperação
A conselheira da Associação das Agências de Viagens do Rio Grande do Sul (Abav-RS), Rita Vasconcelos, também mencionou os desafios relacionados ao timing, afirmando que a estagnação do aeroporto prejudicou a captação de alguns negócios. Contudo, a cidade rapidamente recuperou seu apelo tanto para turismo de negócios quanto para lazer, com a tendência de crescimento consolidada.
O impacto da reabertura do Aeroporto Salgado Filho
Em 21 de outubro de 2024, o Aeroporto Salgado Filho voltou a operar, cinco meses após danos significativos causados pela inundação. Essa reabertura foi considerada um fator crucial para a reativação do turismo de lazer e negócios no Estado. Em 2025, o aeroporto voltou a operar no patamar anterior às enchentes, de acordo com dados da Fraport Brasil, e a recuperação das viagens corporativas foi um fator determinante para esse retorno.
A agência Next Trip, especializada em viagens corporativas e localizada em Porto Alegre, registrou um aumento de 60% nas vendas em 2025, reforçando que a reabertura do aeroporto foi vital para impulsionar negócios.
Novas iniciativas para fomentar o turismo de negócios
Adriane Hilbig, vice-presidente do Porto Alegre Convention Bureau, destacou que a cidade, embora ainda não tenha alcançado os mesmos níveis de eventos corporativos do período anterior às enchentes, possui grande potencial de recuperação. O Convention Bureau, em parceria com a prefeitura e o governo do Estado, busca desenvolver projetos para estimular o turismo de negócios.
Novos espaços, como a arena em construção ao lado do Salgado Filho, e investimentos em infraestrutura também estão sendo considerados como impulso para a atração de novos eventos. A Setur enfatizou que esses investimentos são essenciais para o avanço do turismo corporativo no Estado.
Além de Porto Alegre, a cidade de Gramado tem ampliado sua participação como destino de negócios. Em 2025, Gramado realizou 575 eventos, superando os registros de 2024 e 2023, sinalizando uma recuperação expressiva do setor.
