O Impacto da Economia nas Relações Modernas
Recentemente, percebi que os grupos de WhatsApp do meu círculo social começaram a se dividir. De um lado, os amigos que compartilham a alegria de se mudarem para “o apê do casal”; do outro, os solteiros sempre prontos para mais um rolê. E as celebrações de casamento? Cada vez mais escassas. O que se observa atualmente é que o que antes era sinônimo de promessa eterna, hoje se transforma na prática do famoso “chá de casa nova”.
Essa alteração nos costumes não é apenas uma observação pessoal. Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, mostram que, pela primeira vez, o modelo de união estável superou o casamento como o tipo de relacionamento mais comum no Brasil. O que isso indica? Que o custo de oficializar uma relação tem se tornado um fator decisivo na escolha dos casais.
O que é a União Estável?
A união estável é caracterizada pela convivência contínua e pública entre duas pessoas que pretendem construir uma vida em comum, sem a necessidade de formalidades como cerimônias ou contratos. Se duas pessoas moram juntas e se apresentam como uma família, essa relação pode ser reconhecida legalmente.
No Brasil, essa modalidade de relacionamento ganhou reconhecimento legal há poucos anos, garantindo direitos semelhantes aos do casamento. No entanto, muitos só se tornam conscientes desses direitos em situações complicadas, como separações ou questões de herança.
Direitos em uma União Estável
Quando a relação não é formalizada, a regra geral é a comunhão parcial de bens. Isso quer dizer que tudo que for adquirido durante a convivência deve ser dividido igualmente, mesmo que esteja no nome de apenas um dos parceiros. Por isso, embora não seja obrigatória, a formalização em cartório pode prevenir conflitos futuros e, frequentemente, é uma alternativa mais econômica se comparada a um casamento tradicional.
O Crescimento da União Estável
Os dados do IBGE revelam uma mudança clara de tendência. Enquanto a união estável se torna cada vez mais popular, o número de casamentos civis e religiosos apresenta uma queda acentuada. Nos últimos dez anos, a proporção de casamentos formais caiu de 42,9% para 37,9%.
Mas o amor se extinguiu? De forma alguma. Essa mudança não denota que os brasileiros deixaram de se comprometer. O compromisso ainda existe, mas agora se manifesta de outra maneira. Em um cenário de renda instável, crédito elevado e custos de vida altos, a opção de morar junto surge como uma solução prática para compartilhar despesas sem pesar no bolso desde o início.
Casamento ou União Estável?
Apesar de ambos garantirem direitos semelhantes, o casamento e a união estável têm diferenças significativas. O casamento é formalizado no cartório, com um regime de bens claro desde o início, além de envolver custos de registro e, frequentemente, gastos elevados com festas que podem ultrapassar R$50 mil.
Quando se fala em união estável, a formalização surge a partir da convivência, sendo uma alternativa mais simples e econômica. Entretanto, isso pode gerar complicações no futuro, especialmente se não houver registro, exigindo comprovação da relação para garantir direitos.
Quanto Custa Oficializar a União Estável?
Para formalizar uma união estável, é necessária apenas a escritura pública, cujo custo pode variar entre R$100 e R$600, dependendo do estado. Em Minas Gerais, por exemplo, essa taxa gira em torno de R$412. Por outro lado, o casamento civil envolve mais etapas, como habilitação e emissão de certidão, o que eleva o custo para uma faixa entre R$300 e R$2.000. Se a cerimônia for realizada fora do cartório, esse valor pode facilmente ultrapassar R$1.000.
A Influência da Renda nas Relações
Os dados do IBGE revelam que a renda do casal influencia diretamente na escolha entre casamento e união estável. Entre aqueles que ganham até meio salário mínimo, a maioria opta pela união estável. Já os que recebem acima de cinco salários mínimos tendem a formalizar suas relações. Isso demonstra que o custo de oficializar uma relação é um fator determinante.
Na prática, casais com maior poder aquisitivo podem bancar os custos de formalização, enquanto aqueles com menos recursos tendem a escolher o caminho da união estável. Isso não se trata de uma questão de preferência romântica, mas sim de uma decisão baseada no orçamento disponível.
A Preferência dos Jovens pela União Estável
A união estável é mais comum entre os jovens, especialmente aqueles entre 20 e 39 anos, enquanto o casamento tradicional é mais frequente entre pessoas acima dos 40 anos. Essa tendência reflete uma geração que enfrenta salários menores, empregos instáveis e aluguel caro, não demonstrando tanto apego a grandes celebrações.
Considerações Finais: Casar ou Optar pela União Estável?
A escolha entre casamento e união estável depende da realidade de cada casal. O Censo indica que o casamento já não é o único caminho a seguir, mas isso não implica que a união estável seja sempre mais simples ou menos custosa ao longo prazo. Na verdade, a formalização pode impactar a divisão de patrimônio, heranças e disputas judiciais.
Portanto, a decisão ideal deve levar em conta a situação financeira, os bens e os planos futuros do casal. O nome da relação é menos importante do que a compreensão de que o amor é a base da convivência. Contudo, a clareza jurídica e o planejamento financeiro são fundamentais para proteger o futuro do casal.
Antes de optar por morar junto, é crucial discutir abertamente as finanças. Organizar as contas desde o início pode evitar problemas financeiros maiores mais adiante.
