Impactos da Universalização do Saneamento Básico
A relação entre saneamento básico e saúde pública é histórica e vital. Infelizmente, a falta de acesso a serviços adequados de água e esgoto tem levado a consequências sérias, especialmente em Minas Gerais. Dados alarmantes revelam que o estado contabiliza dezenas de milhares de internações anualmente, afetando principalmente as crianças. Além do evidente sofrimento das famílias, as enfermidades relacionadas à ausência de saneamento básico representam uma perda significativa para os cofres públicos. A universalização desses serviços poderia resultar em uma economia de até R$ 108 milhões por ano.
Os dados de 2023, divulgados pelo Ministério da Saúde, apontam que 1.778 mortes em Minas foram atribuídas a doenças decorrentes da deficiência do saneamento. Em todo o Brasil, esse número atinge 11.554, com a maioria das mortes relacionadas a doenças infecciosas, como aquelas transmitidas por água contaminada e insetos, conforme informações do Instituto Trata Brasil.
Internações e Doenças Relacionadas ao Saneamento
Em 2024, o estado registrou aproximadamente 47,6 mil internações relacionadas a Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI). As enfermidades incluem diarreia, cólera e doenças transmitidas por insetos, como a dengue e a malária. Além disso, problemas como leptospirose e conjuntivite também são comuns nesse contexto. A taxa de internações em Minas é de 22,3 casos a cada dez mil habitantes, superando a média nacional, que é de 16,2. Essa taxa se torna ainda mais preocupante entre as crianças com menos de quatro anos, onde os casos chegam a 48.
Luana Siewert Pretto, CEO do Trata Brasil, enfatiza que o impacto vai além das internações: “As doenças que poderiam ser evitadas com o saneamento adequado são um problema que não deve ser visto como normal. Quando as pessoas têm acesso a serviços de saneamento, conseguimos reduzir drasticamente as internações e, consequentemente, melhorar o desenvolvimento infantil. Uma criança saudável tem mais chances de ter um crescimento adequado, menos faltas na escola e, futuramente, melhores oportunidades de emprego”.
Economia e Sustentabilidade em Saúde
A universalização do saneamento básico pode representar uma economia significativa. Estima-se que entre 2025 e 2040, os custos médicos e horas de trabalho perdidas por causa das DRSAIs podem gerar ganhos de até R$ 1,7 bilhão. Esse valor considera o prazo estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento, que visa fornecer água tratada a 99% da população e garantir a coleta e tratamento de esgoto para 90% até 2033.
O médico sanitarista e coordenador do projeto Manuelzão, Marcus Polignano, destaca a importância desse investimento: “As doenças transmitidas pela água continuam a ser um grande desafio. Ao investir em saneamento, a qualidade de vida melhora e os gastos com saúde diminuem. A regra é simples: para cada R$ 1 investido em saneamento básico, há uma economia de R$ 4 em saúde”.
A Profundidade das Desigualdades de Gênero
A questão do saneamento básico também traz à tona desigualdades de gênero. Em cerca de 70% dos lares rurais sem acesso aos serviços de saneamento, a responsabilidade pela coleta de água recai sobre as mulheres, de acordo com a Unesco. Gabriela Otero, gerente do Pacto Global da ONU, ressalta que a falta de acesso a água tratada e saneamento básico gera estresse e afeta a saúde mental de mulheres e meninas, limitando suas oportunidades de educação e, consequentemente, comprometendo suas perspectivas de renda. Um estudo do Instituto Trata Brasil revela que a renda média das mulheres sem acesso ao saneamento básico poderia aumentar de R$ 1.984,74 para R$ 2.105,08 com a implementação desses serviços.
