Cenário Econômico e Desafios do Setor Leiteiro
O ano de 2026 inicia com um ar de cautela para a pecuária leiteira no Brasil, conforme avaliação dos especialistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Com o Produto Interno Bruto (PIB) projetado em torno de 2% e um crescimento moderado na oferta de leite cru, que deve ficar entre 2% e 2,5%, a expectativa é que os preços pagos aos produtores apresentem uma menor volatilidade. No entanto, os dados indicam que os valores do leite nas propriedades já estão em patamares significativamente inferiores aos registrados em anos anteriores, com uma expectativa de recuperação sazonal somente entre abril e agosto.
Os pesquisadores destacam que a redução nos custos de ração pode ajudar a amortecer quedas bruscas nas margens dos produtores, mas essas margens ainda devem ser menores que as observadas em 2024 e no primeiro trimestre de 2025. Embora existam oportunidades no setor, elas demandarão uma gestão rigorosa e eficiência, segundo as análises.
Impacto das Importações no Preço do Leite
Minas Gerais, o maior produtor de leite do Brasil, continua a enfrentar uma crise significativa de preços. A importação de leite em pó pelo Mercosul, principalmente da Argentina e do Uruguai, é um dos principais fatores que agravam essa situação. De acordo com Antônio Pitangui de Salvo, presidente do Sistema Faemg Senar, o leite importado chega ao Brasil com um preço muito inferior ao que é praticado nos países de origem, configurando um caso de dumping. Essa prática desleal coloca os produtores brasileiros em uma competição não apenas com produtores locais, mas também com os subsídios governamentais que sustentam a produção no exterior.
Expectativas para o Feijão em 2026
Na mesma linha de pesquisa, o Cepea também divulgou informações sobre a cultura do feijão. Para 2026, a expectativa é que seja um ano de consolidação nas análises de preços desse produto, com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promovendo uma ampla divulgação dos preços médios diários em várias regiões do país. Essas informações são essenciais para entender as dinâmicas de mercado entre os diferentes tipos de feijão e as regiões que os produzem e consomem.
Além disso, o Cepea, em colaboração com a CNA, está se esforçando para expandir o monitoramento de preços de outros produtos agrícolas, como o caupi, que representa pouco mais de 20% da oferta nacional. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra 2025/26 do feijão será de 3 milhões de toneladas, uma queda de 1,8% em comparação ao período anterior. Com estoques iniciais estimados em 106,8 mil toneladas e importações previstas de cerca de 21,6 mil toneladas ao longo do ano, a disponibilidade interna deve ser de aproximadamente 3,13 milhões de toneladas.
Para o consumo interno, a Conab projeta um total de 2,8 milhões de toneladas, enquanto as exportações devem ficar em 214,4 mil toneladas para o ano de 2026. Os pesquisadores do Cepea ressaltam que o consumo permanece estável em relação a 2025, ao passo que as exportações estão previstas para ser 53,8% inferiores. Com isso, o estoque final deverá ser de 118,4 mil toneladas, um número que se assemelha ao registrado na safra 2020/21, e que será suficiente para atender a demanda nacional por apenas 2,2 semanas.
