Baixa Ocorrência de Subtipos Raros
Um dos cânceres mais agressivos que afetam a região da cabeça e pescoço, o carcinoma espinocelular representa aproximadamente 95% dos tumores diagnosticados nessa área, posicionando-se como uma das principais causas de morte por câncer em todo o mundo. Apesar de tratamentos cirúrgicos intensivos, a taxa de sobrevivência permanece baixa, com um alto índice de recorrência e metástase.
No âmbito de uma pesquisa abrangente que analisou mais de 1.400 casos, realizada por especialistas da América Latina e com o apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), foi constatado que apenas 4,6% dos diagnósticos referem-se às variantes histopatológicas, os subtipos raros que só podem ser identificados por meio de análise microscópica. Esse percentual é inferior ao intervalo previamente observado na literatura médica internacional, que variava entre 5% e 15%. Os achados foram divulgados na respeitada revista Annals of Diagnostic Pathology.
Embora menos comuns, essas variantes ainda representam um desafio significativo na prática clínica, pois frequentemente apresentam comportamentos imprevisíveis e requerem tratamentos específicos. Entre os principais sintomas, destacam-se feridas que não cicatrizam, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas e a presença de massas tumorais.
Relação com o Papilomavírus Humano
A pesquisa também evidenciou as disparidades regionais na conexão entre a doença e o papilomavírus humano (HPV). Ao passo que na Europa e nos Estados Unidos até 70% dos cânceres de orofaringe são vinculados ao HPV, no Brasil essa taxa gira em torno de 25%. A origem do tumor tem um impacto direto no prognóstico, uma vez que pessoas que testam positivo para HPV frequentemente apresentam melhores respostas aos tratamentos.
