Concessões Rodoviárias e a Mobilidade na Região Metropolitana
O projeto de concessão das rodovias do Vetor Norte, que abrange trechos importantes como o acesso ao Aeroporto de Confins e a Serra do Cipó, foi apresentado pelo governo de Minas Gerais, sob a gestão de Romeu Zema (Novo), no início deste ano. A proposta, que prevê a instalação de pedágios, encontrou resistência devido a questionamentos levantados pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e por membros da oposição na Assembleia Legislativa.
Recentemente, o TCE instaurou uma mesa de conciliação para discutir de forma mais aprofundada os aspectos técnicos e jurídicos do projeto. O secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra), Pedro Bruno, destacou que o governo está aberto ao diálogo e disposto a rever os pontos controversos para avançar nas negociações.
“O Tribunal de Contas do Estado se comprometeu a criar uma mesa de conciliação para buscarmos um entendimento. O Estado está sempre aberto ao diálogo e preparado para reavaliar o projeto a fim de que possamos avançar”, afirmou Pedro Bruno.
Uma Abordagem Ampla para a Infraestrutura
A concessão do Vetor Norte é parte de uma estratégia mais abrangente para modernizar a infraestrutura viária de Minas Gerais, que busca integrar investimentos públicos e privados. Segundo Bruno, essa abordagem visa complementar os esforços do governo federal com projetos, como a nova BR-040, que liga Belo Horizonte a Juiz de Fora, e as melhorias na BR-262 que conectam a capital mineira ao Triângulo Mineiro.
“A Região Metropolitana de Belo Horizonte está passando por importantes transformações com projetos que incluem a remodelação da Fernão Dias. Por isso, iniciativas como o lote Ouro Preto, o Rodoanel e o Vetor Norte são fundamentais para essa expansão no setor de infraestrutura”, destacou.
Desafios e Preocupações com Pedágios
A introdução de pedágios em deslocamentos diários, como o trajeto para o aeroporto ou entre cidades vizinhas, gera preocupações entre os motoristas. O projeto de concessão inclui isenções de tarifas a partir da segunda passagem no mesmo dia e ampliará descontos para usuários frequentes. Além disso, um período de adaptação, denominado “marcha branca”, será estabelecido sem cobrança de tarifas.
Planos para melhorias na infraestrutura também estão na pauta, como a instalação de iluminação pública na MG-424, melhorias em passarelas e a construção de três contornos viários em pista dupla nas cidades de Lagoa Santa, Prudente de Morais e Matozinhos. Além disso, estão programados 31 viadutos, 23 passarelas e 26 pontos de ônibus.
Mobilidade e Ações Conjuntas
Peters Bruno enfatizou que os atuais problemas de mobilidade não podem ser resolvidos sem intervenções significativas. “Estamos diante de um grande desafio na região metropolitana, que é o terceiro maior aglomerado urbano do Brasil. Aumento no número de veículos resulta em mais congestionamentos”, comentou.
Ele também destacou que a população sente diretamente os impactos da falta de infraestrutura adequada, com a perda de tempo em deslocamentos que poderiam ser aproveitados de maneira mais produtiva ou em momentos de qualidade com a família.
Para o secretário, a solução exige esforços conjuntos entre os diferentes níveis de governo e o setor privado. “É necessária uma colaboração entre município, estado e governo federal. Os investimentos em infraestrutura rodoviária são essenciais para aumentar a capacidade e melhorar a mobilidade na região”, concluiu.
Ainda não há uma data definida para a conciliação entre o governo do estado e a oposição no TCE sobre o tema dos pedágios e suas implicações para a sociedade mineira.
